sexta-feira, março 02, 2012

No Escuro...


Ontem conversando com um amigo de trabalho com raiva do convite que recebeu de uma ex que, embora ele diga que não representa nada, estou certo de que ainda ocupa grande espaço no coração amargurado do rapaz, pensei em como algumas escolhas a princípio banais podem mudar totalmente a vida da gente.

Antes vou explicar a situação por cima: ele tinha um namoro de quatro anos com a moça que conhecera ainda nos tempos de faculdade e no momento em que a monogamia tornou-se enfadonha, passaram a frequentar as tão popularizadas casas de swing. Aliás, se tem um hábito que podemos citar como fruto da última década no Brasil é isso. Como existe gente indo a lugares desse tipo e – ao contrário do que alguns pensam – pessoas jovens, bonitas, sedutoras! Claro que o sexo em grupo sempre existiu, mas essa parada dos lugares comerciais, com CNPJ e tudo dedicados à putaria me parece uma retomada das casas de banho da antiguidade clássica que o cristianismo sepultou por muitos anos. Bem, eu sinceramente acho bacana e interessante ver que os casais podem ter uma vida mais honesta, solta e dialogar acerca de suas fantasias porque acho meio decadente viver os tempos de hoje com o olhar no retrovisor, mirando-se em arquétipos tolos e que fogem completamente à natureza real e particular de cada um. Também me alegra pensar que alguém possa perfeitamente sair de um bacanal às 23:30 h, chegar em casa, dormir e levar o filho para a escola às 06:30 h, sendo zeloso e responsável em seu dia a dia.

Agora, voltando ao caso, ocorreu que depois de um tempo nessa vida de hedonismo helênico/romano, a garota decidiu que não o queria mais como namorado e que estava gostando de outra garota. Adivinha onde ela “descobriu” que gostava de amiguinhas? Bingo! Você acertou! Terminado o romance ele ficou desnorteado e com ódio do mundo, das surubas, dela, dele mesmo. Enfim, aquele ódio que sentimos quando entramos com o traseiro e o outro com o pé!

Passado algum tempo, essa semana a menina liga e o convida para jantar. Ele emputecido a trata de forma deselegante e me chama para fumar um cigarro. Convite aceito, ele com o cigarro e eu com a coca-cola:

Ele: Você acredita que aquela desgraçada me liga para me chamar pra jantar?
Eu: É...
Ele: Cara, que absurdo!
Eu: Mas... você perguntou a ela o porquê do convite?
Ele: NÃO! Não vou, não quero saber! Quero que ela morra!
Eu: Quer mesmo?
Ele (me interrompendo): Quero! Desgraçada!
Eu: Bem, me deixa falar o que eu acho?
Ele: Tá!
Eu: Fulano, é óbvio que você quer ir a esse encontro! Acho até que deve!

Ele tenta me interromper, mas eu sou enfático e corto.

Eu: Não! Me deixa terminar! Cara, você quer muito falar com ela. Se não quisesse não ficaria transtornado assim. Penso que deve isso tanto a você quanto a ela. Cara, essa moça passou 4 anos dando a xoxota pra você. Isso é muita coisa!
Ele: Lucas, essa vadia me traiu!
Eu: Como assim?! Deixa de ser lunático! Meu, vocês iam a casas de orgias!
Ele: Você não entende!
Eu (agora bravo): Entendo sim! Não venha subestimar minha capacidade de sacar o motivo verdadeiro da sua raiva! Cara, enquanto ela ia nesses lugares para satisfazer, entre outras coisas, sua vontade de trepar com outras garotas, de vê-la fazendo o mesmo e de ter a fantasia masculina de duas mulheres a seu serviço, estava tudo bem. Foi só ela se investigar melhor e sacar que podia e queria ter uma relação sólida com outra garota que aí ela virou uma biscate perversa.
Ele: E como você pode dizer que é isso?
Eu: Desculpe, mas o que você está sentindo é dor de corno e isso precisa passar. Há que se aceitar a ideia de que hoje todos somos passíveis de troca pelos dois gêneros. Qual a diferença entre ser trocado por outro cara ou por uma mina?
Ele: Agora eu sou o vilão então? O filho da puta sou eu!
Eu (um pouco sarcástico): Na boa, não tem filho da puta nesse caso...
Ele: Lucas, ela devia ter sido honesta comigo!
Eu: Ela foi! Tanto foi que deixou a vida tranquila de uma relação socialmente aceita para ser tachada de sapatão por aí e, talvez, ela nem seja gay, mas bissexual, o que a torna – aos olhos medíocres – ainda mais vadia.
Ele: E por que você acha que eu devia falar com ela?
Eu: Não sei. Quem deve saber é você! Não sou protagonista da sua história, apenas ouço suas lamúrias. Aliás, como já disse, decadentes! Até entendo que sua dor é real, mas nem por isso deixa de ser piegas e cafona, saca?
Ele: Nem sei porque te conto isso! Dos meus amigos você é o mais cruel...
Eu: É, eu sei disso! Por trás dessa carinha de moço bom do interior, esconde-se um pequeno monstro cultivado com esmero. Sempre foi assim, sempre será!
Ele (agora rindo): Filho da puta!
Eu: Pode parar! Mamãe nunca se meteu nessas festas selvagens que você frequenta...

Rimos os dois!

Não, é claro que ele não sabe que eu postei esse texto. Quanto aos curiosos, caso ele vá jantar com a menina, escrevo depois porque é óbvio que o pássaro ferido quer terminar de contar esse caso ao cruel aqui. Falar é – muitas vezes – a melhor forma de reconstruir nossas asas para voos maiores e até mais excitantes.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Fogo Amigo


Conversas paralelas são sempre perigosas quando temos ouvidos disponíveis e, via de regra, o que não falta é fogo amigo em qualquer setor de nossa vida pública e privada, mas ao contrário do que pensava até bem pouco tempo, muitas vezes damos a chance para que o outro venha nos envenenar e isso nos torna mais répteis do que a serpente que nos pica, pois nós é que abrimos a porta e chamamos o ser peçonhento.

Eu sempre tive uma dificuldade enorme na luta entre a minha curiosidade e noção de perigo. Por isso vez ou outra acabo ouvindo quem não devia e sendo alvo fácil de minha burrice e fraqueza de caráter. Aliás, duas das minhas características mais evidentes são o fascínio e pavor que o perigo me causa e certa permissividade em nome do prazer ou de qualquer outra coisa que lembre ou pareça com ele. Acho que isso fica tão claro em mim que acabo me deixando levar por pessoas e enredos que eram claramente uma arapuca. Sabe aquela coisa de ir até a beira do abismo para produzir o calafrio de estar vivo e sentindo algo?

O fato é que o chamado fogo amigo é mais uma característica do ser humano e mesmo as almas mais cândidas - se é que isso existe mesmo – acendem tochas dele em algum momento. Algum, não! Em muitos momentos! Tenho cá pra mim que as motivações mais recorrentes são sexo e dinheiro e que isso se dá porque somos desnorteados e não aguentamos conviver com a nossa total insignificância, ou seja, passamos a vida tentando produzir vestígios através de atitudes ruins e boas. Como definir algo tão limítrofe quanto o bem e o mal? Parece estranho, mas acredito que o nosso melhor e o nosso pior caminham de mãos dadas nessa busca incessante e inglória de ser alguma coisa que nem previamente concebemos com clareza. Como o dinheiro gera notoriedade, poder e um certo charme enquanto o sexo nos leva ao óbvio delírio do gozo, é por eles que lutamos, amamos, traímos e até ironicamente morremos. Se não me engano tem até um filme antigo em preto e branco chamado “De Amor Também se Morre”.

Óbvio que você – um dos cinco “à toa” que pararam para ler essas mal redigidas linhas irá se perguntar o porquê de eu estar pensando nisso. Lendo há pouco um trecho do “Evangelho de Judas” em que se afirma que Jesus teria lhe dito: “Você irá sacrificar o corpo do homem que eu encarno”, pensei que se isso aconteceu mesmo, Judas foi alvo de calúnia ou no mínimo de mal julgamento por parte de seus companheiros e que – talvez – tenha sido o mais fiel dos apóstolos, pois teve a coragem e a falta de vaidade de entrar para a história como o traidor, o conspirador, o fogo amigo do salvador sacralizado ao longo de todos esses anos. Quem há de elucidar um questionamento desses? Judas pode ter sido quase tão importante e sofredor quanto Maria, pois a ela coube a tarefa de dar à luz o tão amado mito do cristianismo e a ele coube o indigesto papel de produzir a morte agonizante do mesmo. Porém, se não tivesse Cristo sofrido o que sofreu exatamente da forma como tudo ocorrera, ele representaria papel tão importante no tempo e nos corações de seus seguidores? Teríamos hoje uma cultura, uma civilização cristã? Coloco essa indagação a partir da suposição de que os fatos elencados acima são reais e é claro que qualquer um pode simplesmente dizer: Judas era traidor e seu evangelho uma farsa! Claro que pode! Afinal, se Judas era mesmo um homem de caráter dúbio, ele pode ter inventado essa fala na tentativa de limpar a própria barra de sua túnica coberta do sangue mais puro e sagrado de que já se teve notícia.

Agora pensem comigo: Judas – o amigo próximo - teria traído o que havia de mais sagrado pelo valor de trinta dinheiros! Ah! O vil e desprezível dinheiro sempre maculando corações em nome do profano gozo da vida material. Aquele que ornamenta e enche de beleza, gerando notoriedade e, por fim, sexo. Sim, se Judas era o homem desprezível que dizem que ele era, certamente gastou o ressarcimento de sua delação com mulheres, homens ou os dois gêneros humanos, uma vez que não sabemos qual era a dele na hora de se fartar em regozijos carnais e mais toda sorte de artifícios parar gerar prazer porque é claro que ao produzir o hediondo ato em troca de grana, o cara queria mesmo era boa vida e já estava cansado de peregrinar por aí junto a Cristo e seus discípulos por desertos, vilas, cidades, entre tantos lugares fartos de pobreza e necessidades básicas. Ele queria mesmo era um pano legal, uma casa grande e todos os confortos que havia na época.

Por isso toda vez que me vejo como vítima de fogo amigo indago até que ponto eu quis ser vítima, sanar uma curiosidade inútil e no grau de Judas que há em quem carregava a tocha porque muitas vezes eu e o outro nem fazemos por mal, mas por mal hábito. Talvez por tudo isso Judas seja – para mim – o personagem mais instigante e humanizado dessa trama que tem pautado invariavelmente nossas vidas nos últimos dois mil e onze anos. Foi ele que criou um Cristo eternamente na cruz e o deixou pregado, servindo de modelo às outras que não cansam de nos mostrar. Pense em quantas vezes pregamos e somos pregados e em como isso é natural. Por mais perverso que soe, estamos muito mais próximos das impurezas do que entendemos como bom e sagrado e isso acaba nos constrangendo e excitando também.

quarta-feira, novembro 24, 2010

O Nefasto!


Eu acho que todo mundo já se deparou com o canalha, não? Bem, eu não falo do canalha sedutor e comedor que povoa o imaginário coletivo, mas daquele nocivo, invejoso e destruidor. Sabe aquela pessoa que se aproxima de você, torna-se amiga e só te atrapalha? Nossa, eu não sei se são os trinta anos que bate à porta, o retorno de Saturno ou seja lá o que for, mas como eu tenho me deparado com essa qualidade de gente!

Existem vários subtipos de canalhas, mas eu me atenho a dois que são os frequentes: o burro e mais usual devido ao crescimento em escala geométrica da ignorância e falta de tato e o extremamente perigoso e ardiloso que eu chamo de “o canalha da boa sociedade”.

O primeiro tipo é fácil de perceber e acho que na verdade ele só é canalha por total falta de competência em desempenhar um papel melhor na vida. Geralmente ataca em bando e costuma ter como alvo os que fazem tudo aquilo que ele gostaria de ser e/ou fazer, mas lhe falta peito. Costuma usar o artifício da anedota corrosiva que os elementos mais desagradáveis adoram em suas rodinhas cheias de gente infelizes que estão rindo à toa e freneticamente. Quase sempre ele tem o emprego que não quer, o parceiro que não deseja, a casa que não gosta e até mesmo a cidade que não habita. É o frustrado tão comum nos dias de hoje que, quando a luz está apagada, é capaz das maiores e mais impublicáveis baixarias. Não configura um perigo, digamos assim, real. Aliás, pode ser até divertido odiá-lo de lado.

Já o segundo tipo é aquele que se faz envolvente, sedutor, é inteligente, muito agradável e, por isso tudo, você demora muito tempo para reconhecer, mas, quando isso acontece, ele fica tão desnudo diante da sua inesperada perspicácia que mal pode encará-lo e desaparece como em um passe de mágica, fazendo novas vítimas em outra freguesia. Como eu sempre gostei de um bom embate e não sou o que podemos chamar de uma vítima usual, costumo deixá-lo por perto e, sem que ele possa ter completa certeza de que foi de fato revelado, passo a tratá-lo bem com nuances de agressividade pouco nítida. Para tal, é preciso ter sangue frio, um certo ar aristocrático (para não escrachar) e muita, mas muita mágoa mesmo do elemento. Aliás, esse é um ponto importante porque a vingança não pode ser ad eternum senão faz mal, ou seja, chega aquele momento que ou você corta de vez, chamando para uma cerveja e antes de partir diz olhando nos olhos que ele é repugnante (claro que não precisa fazer essa cena toda, pois existem maneiras de deixar isso claro sem esboçar um músculo facial sequer) ou então vai cozinhando em fogo baixo até que o mesmo evapore de vez.

Eu me deparei com um tipo assim logo que entrei na PUC aqui em São Paulo em dois mil e quatro. Estava sentado em um canto conversando animadamente em uma roda quando esse ser humano que chamarei aqui de vômito apareceu e tentou me ridicularizar da maneira mais covarde, vil e desnecessária que possa haver. Como fui criado em um colégio de freiras onde a crueldade e o cinismo eram as moedas correntes entre a elite inculta de um interior decadente, coloquei o vômito no bolso e me saí – como quase sempre nessas situações – muito bem e esse foi o meu pecado, isto é, não ter expurgado logo o mal por achar que sou inteligente o suficiente para lidar com o canalha destruidor. Porém, por termos até hoje amigos em comum, transitando nas mesmas rodas, acabei levando muito tempo o vômito na maciota e em dado momento de distração ele me sujou com seu caráter maquiavélico e nojento. Nessas horas eu, e imagino que você que está me lendo, penso sempre o porquê de não ter acreditado e confiado na primeira impressão que tive do indivíduo, visto que todos nós nascemos para aquilo que somos e com o canalha não é diferente! Sempre me bate aquela sensação de credulidade infantil, sabe?

Bem, esse texto nem é para ser lido por todos, mas apenas pelo vômito que eu tenho certeza que sabe que é para ele. Afinal, o covarde tem plena consciência do quão ácidas e destrutivas podem ser suas atitudes e, não posso deixar de esclarecer, que o vômito é belo, cativante, muito inteligente, sabe trocar de pele como a mais peçonhenta das serpentes e até hoje quando me encontra fica em dúvida se eu o compreendi. Pessoa nefasta, eu exercito desde cedo a arte de domar répteis e saiba que eu posso reverenciá-lo com um sorriso nos lábios e uma faca mãos. Até o próximo e cínico encontro!

quarta-feira, agosto 18, 2010

A Beleza da Manga


Renato era um belo e jovem rapaz que gostava de Clarice, uma moça que não costumava despertar olhares de ninguém devido ao seu temperamento difícil aliado a sua quase inexistente beleza física. Todos se perguntavam a mesma coisa: Como um moço tão belo pode gostar de uma mulher tão feia, desagradável e de hábitos deselegantes?

Enquanto ele praticava e ganhava todas as modalidades esportivas, ia bem na escola, chamando a atenção e cativando sempre com um sorriso no rosto, o contrário acontecia com Clarice. Porém, nada parecia abalar o romance deles - nem as investidas constantes de belas e despeitadas jovens e tampouco as piadas maldosas dos amigos do clube, do colégio e do bairro. Renato seguia absolutamente apaixonado e Clarice continuava constantemente desagradável e insatisfeita.

Tempos depois Renato estava no altar a esperar a noiva com seu terno elegante, porte de Príncipe, sorriso reluzente e muito alegre. Clarice entra pela Igreja com o mais belo vestido e mesmo assim ainda com aquele ar desagradável e a mesma falta de atrativos. A mãe do noivo cochicha no ouvido do filho que vai entender se ele desistir de tudo ali mesmo, mas com convicção absoluta o rapaz nem pensa nisso. Casam-se, festejam e seguem para a lua de mel.

Passam anos, Renato prospera na vida e fica muito rico. Clarice resolve ficar bonita e começa a fazer algumas intervenções que a deixam mais simpática. O problema é que enquanto a esposa vai se embelezando, o marido fica careca, gordo, diabético e acaba morrendo. Eis que no dia de sua viuvez, Clarice surge bela com nariz afilado por cirurgia plástica, esbelta e proporcional devido à lipos e academias, cabelos sedosos e dois filhos muito bonitos tal como o pai quando novo e que agora se encontra em um caixão para obesos. Porém, as surpresas não terminam por aí porque a viúva sofre com elegância e muita discrição, inclusive consolando os mais tristes e em nada lembrava a jovem feia e desagradável do passado.

No momento de enterrar o defunto ouve-se uma mulher gritar ao fundo que também tem direito ao morto, pois foi sua amante por mais de dez anos. Todos olham e veem uma lindíssima jovem com seus trinta e poucos anos ajoelhada aos prantos. Clarice pede licença, vai até a moça, ajuda a se levantar, leva até a lápide e pergunta se ela teve filho com Renato. Ela nega e a viúva oficial responde para que todos ouçam: Quero que respeitem a dor desta Senhora! Não era fácil para mulher alguma nesse mundo aturar o mau hálito e o sexo de tão pouca qualidade que ele tinha para oferecer. Volta-se novamente para a agora atônita amante e pergunta: Ao menos ele lhe dava boa vida?

A bela jovem abraça a viúva e chorando copiosamente enterra o rosto em seu colo. Clarice olha para o túmulo e pensa no quão poderia ter sido mais feliz se tivesse casado com um homem menos proeminente, mas que a satisfizesse na cama. Ao chegar em casa não quer saber de outra coisa além da manga que havia escondido no fundo da geladeira para que seu marido guloso não comesse.

quarta-feira, março 25, 2009

Descarados!




Olá Pessoal!

Antes de qualquer coisa gostaria de deixar muito claro que em nenhum momento sou contra as mulheres comprometidas que levam para intimidade de suas relações heterossexuais outras mulheres porque vejo com muita naturalidade o bissexualismo e ao contrário de muita gente acredito que ele existe e está se perpetuando cada dia mais devido à nossa cultura ao mesmo tempo homofóbica e homoerótica. Porém o que vem me chamando muita atenção nos últimos tempos é o fato de que o lesbianismo, que sempre foi uma fantasia do universo heterossexual masculino, passou a ser muito incentivado e até mesmo cobrado como um direito dos homens.

Outro dia estava conversando com um amigo sobre um grupo específico.

Ele: Essas garotas são todas muito reprimidas! Elas acham um absurdo transar com uma mulher e comigo ao mesmo tempo.
Eu: E você, acharia um absurdo se uma delas – a mais gostosa – pedisse que você a dividisse com outro rapaz? Mas dividir mesmo! Beijar a três, por exemplo, e isso sendo só o início?
Ele: Claro! Isso seria um absurdo! Eu não sou gay.
Eu: E por que ela deve ser lésbica pra você?
Ele: Ah! Mas é diferente porque eu estaria ali para as duas.
Eu: Isso é um completo absurdo! Se ela pra ser contemporânea e libertária deve transar com outra mulher junto a você, você não pode achar um absurdo se algum dia ela pedir que você aceite um terceiro elemento masculino na relação de vocês.
Ele: Eu não sou veado, não sou!

Bem, o resto da conversa seria impróprio e nada ilustrativo. O que me fez escrever foi esse tipo de pensamento que, acreditem, está cristalizado na cabeça de vários homens por aí e isso encontra incentivos em todos os produtos de entretenimento dos mais diferentes veículos. Se você for assistir um filme pornográfico todos eles, sem exceção, são pensados para satisfazer os homens mesmo nas cenas de lesbianismo e digo isso porque já perguntei pra várias lésbicas se elas se excitam vendo e todas são categóricas na negativa porque não tem nada nem próximo do que seria uma relação mulher com mulher. Porém há agora o “The L Word” que passa na Warner e todas dizem que pela primeira vez viram algo erótico e lésbico. Eu também já assisti e mesmo ciente de que embora seja glamourizado demais (trata-se de um grupo de lésbicas lindíssimas, chiques e muito sedutoras que moram em casas com piscina estilo quadro do Edward Hopper em Los Angeles) e achei que mesmo sendo pensado pra agradar o universo lésbico chique (já que passa em canal pago) ainda assim é projetado pra fisgar também o universo masculino. Porém o ponto positivo é que elas se pegam mesmo e não ficam naquelas ceninhas de beijo no escuro e “apague a luz e deixe entendido que vamos transar”.

Outra ponto que te me chamado a atenção são os seriados juvenis. Em todos eles existem casais gays – femininos ou masculinos – mas quando o casal é de lésbicas há sempre beijos quentes e cenas de cama, já quando são masculinos as cenas são sempre mais tranqüilas e ficam no subentendido, ou seja, mais uma vez o foco do erotismo é o homem e isso é, para mim, muito estranho porque sempre achei que o erótico fosse algo mais feminino e que a pornografia fosse mais masculina, mas pensando bem o mundo é dos homens heterossexuais que criaram os pilares de nossa sociedade cristã ocidental e nesse universo as mulheres devem servir, os gays devem se esconder e os homens “machos” devem se servir e se dar o direito ao deleite. Por isso, meninas, quando algum menino pedir que você leve ou aceite alguma mocinha na sua cama, só o façam se isso te excitar e deixe claro que só aceitou porque você quis. Caso contrário continuaremos a ter mulheres exploradas de todas as maneiras, inclusive e principalmente sexualmente.
Lutem pelo direito de não serem prostitutas! E claro: pelo de poderem ser, se assim quiserem.

Abraços do Lucas, o mais Franco.

terça-feira, março 17, 2009

Tragédia Brasileira - Manuel Bandeira.


"Não lhe pedi uma vida decente"



Olá pessoal!

Eu adoro esse conto do Bandeira e por isso imaginei em cima e escrevi uma "novela de rádio". Espero que gostem do roteiro e tirei as indicações de efeitos sonoros que devem estar no roteiro pra leitura fluir melhor.

Misael, funcionário da Fazenda, com sessenta e três anos de idade, conheceu Maria Elvira na Lapa, - prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria. Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.

Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado. Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa. Viveram três anos assim.

Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa. Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...

Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.


Locutor 1 – NARRADOR
MISAEL, FUNCIONÁRIO DA FAZENDA, COM SESSENTA E TRÊS ANOS DE IDADE CONHECEU MARIA ELVIRA NA LAPA - PROSTITUTA, COM SÍFILES, DERMATITE NOS DEDOS, UMA ALIANÇA EMPENHADA E OS DENTES EM PETIÇÃO DE MISÉRIA.MISAEL TIROU MARIA ELVIRA DA VIDA, INSTALOU-A NUM SOBRADO NO ESTÁCIO, PAGOU MÉDICO, DENTISTA, MANICURA... DAVA TUDO QUANTO ELA QUERIA E QUANDO MARIA ELVIRA SE APANHOU DE BOCA BONITA, ARRANJOU LOGO UM NAMORADO.
MISAEL NÃO QUERIA ESCÂNDALO. PODIA DAR UMA SURRA, UM TIRO, UMA FACADA. NÃO FEZ NADA DISSO! MUDOU DE CASA E VIVERAM TRÊS ANOS ASSIM.
TODA VEZ QUE MARIA ELVIRA ARRANJAVA NAMORADO, MISAEL MUDAVA DE CASA.

Locutor 2 - MISAEL
[calmo]JÁ ARRUMOU AS COISAS, ELVIRA?O CARRETO PARA PRAÇA MAUÁ SAI DAQUI A POUCO. AMANHÃ JÁ ESTAREMOS NA CASA NOVA E ESPERO QUE VOCÊ HAJA TAMBÉM COM UMA NOVA COMPOSTURA ...

Locutor 3 – MARIA ELVIRA
[firme] NUNCA TE ENGANEI! [displicente] TU NÃO TENS O DIREITO DE ME EXIGIR ESSE TIPO DE COISA PORQUE EU TAMBÉM NÃO LHE COBRO NADA.

Locutor 2 - MISAEL
[bravo] CLARO QUE NÃO COBRAS! DEI-LHE DE TUDO: NOME, DIGNIDADE E RESPEITO PÚBLICO. MAS VOCÊ, ELVIRA, COMPORTA-SE COMO UMA, UMA...

Locutor 3 – MARIA ELVIRA
[debochada] VAGABUNDA, MERETRIZ, PROSTITUTA? SEI QUE É ISSO O QUE PENSASTE EM DIZER. POR QUÊ NÃO FALA? NÃO É HOMEM PARA ISSO? NÃO AGUENTA ASSUMIR QUE SE CASOU COM UMA PISTOLEIRA. PORQUE É ISSO O QUE EU SOU.

Locutor 2 - MISAEL
[inconformado] NÃÃÃÃO. FOSTE! AGORA ES MINHA SENHORA, MAS NÃO SE PORTA COMO TAL. PREFERE ACHINCALHAR A MIM E A SI MESMA A LEVAR UMA VIDA DECENTE.

Locutor 3 – MARIA ELVIRA
[displicente] NÃO LHE PEDI UMA VIDA DECENTE!

Locutor 2 - MISAEL
[imperativo] CALA BOCA! CHEGA! NÃO QUERO DISCUSSÕES.

Locutor 3 – MARIA ELVIRA
ESSE É O SEU PROBLEMA! NUNCA QUER DISCUTIR NADA E ESTÁ SEMPRE FUGINDO DA VERDADE. QUER SABER? NÃO ADIANTA FICAR MUDANDO DE BAIRRO PORQUE NÃO VOU LEVAR ESSA VIDA INSOSSA QUE QUERES ME PROPORCIONAR. E TEM MAIS: PARE DE CHORAR, REAJA! [aos gritos]

Locutor 2 - MISAEL
[aos gritos] CALE-SE ! JÁ DISSE QUE NÃO AGUENTO MAIS E TU INSISTES EM CONTINUAR COM ESTE TORMENTO. NÃO VES QUE EU TE AMO?

Locutor 3 – MARIA ELVIRA
VEJO! MAS EU É QUE NÃO TE AMO E NÃO QUERES ACEITAR. PREFERES A FARSA. [indiferente]

Locutor 2 – MISAEL
[em frangalhos, desesperado] COMO NÃO ME AMAS? NUNCA ME AMASTE OU DEIXASTE DE ME AMAR? GOSTOU DE MIM ALGUM DIA OU APENAS ME USOU?

Locutor 3 – MARIA ELVIRA
[indiferente] QUERES MESMO SABER? NUCA TE AMEI ASSIM COMO NUNCA FUI UMA MULHER HONESTA. ES INCAPAZ DE SACIAR UMA MULHER NA CAMA E JÁ QUE PERGUNTASTE DEVO DIZER QUE ESTOU GRÁVIDA, MAS TU NÃO ES O PAI.

Locutor 2 - MISAEL
[pasmo] GRÁVIDA?! DE QUEM?

Locutor 3 – MARIA ELVIRA
[altiva] GRÁVIDA DO EMÍLIO, SEU IRMÃO. ELE SIM É HOMEM! VIRIL, RUDE E SABE COMO TRATAR UMA MULHER.

Locutor 2 - MISAEL
[pasmo] DO EMÍLIO?!

Locutor 3 – MARIA ELVIRA
[indiferente] SIM, DO EMÍLIO! NÃO DE UM PATSO COMO VOCÊ.

Locutor 2 - MISAEL
[descontrolado] E AGORA, O QUE PENSAS EM FAZER? TALVEZ, PENSASTE QUE EU IRIA CRIAR O BASTARDO, FILHO DE UMA CHOCADEIRA VIRA-LATA COM UM VIGARISTA DE BEIRA DE ESQUINA. TERÁS O QUE MERECE.

Locutor 3 – MARIA ELVIRA
[desesperada, fugindo] PARA COM ISSO MISAEL! NÃO SEJAS INSANO! ESTOU GRÁVIDA.

Locutor 2 - MISAEL
NÃO ADIANTA CORRER! EU LHE PEGO ONDE QUER QUE VOCE ESTEJA. PREFERES MORRER NA RUA DE ONDE SAÍSTE? NÃO ME IMPORTO, MATO-LHE AQUI MESMO!

Locutor 3 – MARIA ELVIRA
NÃO! POR FAVOR, EU IMPLORO! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO...

Locutor 1 - NARRADOR
POR FIM NA AVENIDA ABOLIÇAO, ONDE MISAEL, PRIVADO DE SENTIDOS E INTELIGÊNCIA, MATOU-A COM SEIS TIROS E A POLÍCIA FOI ENCONTRÁ-LA CAÍDA EM DECÚBITO DORSAL, VESTIDA DE ORGANDI AZUL.

terça-feira, março 03, 2009

Esperando Dante.

"A vida é uma peça musical onde não se permite ensaios. Por isso cante, toque, se alegre e viva intensamente cada minuto antes que o maestro encerre e o espetáculo termine sem aplausos"




Hoje eu tive um sonho, mas estava acordado e fico feliz que tenha sido assim porque os mais belos devem ser sempre conscientes. Sonhei com um menino bonito, forte, íntegro, feliz e leve. Ele já tem nome e é real. Trata-se do Dante, filho da Susaninha e do Adrián.

O Dante não será o primeiro neto ou sobrinho, mas estou certo que assim como a Cecília também trará o seu encanto e charme, uma vez que é filho de uma penapolense que fez balé obrigada, fugiu do Catecismo e nunca matou a curiosidade de experimentar a hóstia sagrada, que ao invés de vôlei preferiu “handball” e tênis, que fez penteado anos oitenta e quer morrer quando vê as fotos, que achava festa de debutante uma coisa hedionda de tão cafona, que estapeou o “galã” nipônico porque ele era engraçadinho demais, brigou com um rapaz de dois metros no recreio, pensou em ser jornalista e atriz, mas acabou tornando-se uma nobre advogada, que inventou para uma amiga que tinha uma irmã gêmea e colocou a criatura pra falar com a suposta no telefone e de um argentino de Santa Fé – que mesmo vindo de uma cidade chamada Moises Ville não sabe nem onde fica a Sinagoga mais próxima de sua casa e quando ouve, se é que já ouviu, alguém falando em hebraico, se pergunta qual língua exótica seria aquela e que, pasmem, me acha louco só porque logo no primeiro mês de casado eu cheguei em sua casa às seis horas da manhã aos prantos dizendo que ia morrer devido a uma cólica, provavelmente de rim e também porque não gosto que ele ande de mãos dadas com minha irmã e apenas sua esposa quando estamos os três juntos.


Bem, assim como aconteceu e acontece com a Cecília eu também imagino o Dante e ele é um carioquinha que corre pra Ipanema apenas nos finais de semana porque os progenitores adoram morar em Laranjeiras e querem que ele estude a semana toda e que vá ao Inglês, que é a sensação da sala porque fala “español”, que tem do pai o nariz, os cachos pretos e da mãe a testa grande e o bico quando emburra. Creio e espero com todo o afinco que ele seja um bom aluno, saiba desenhar, entenda bem as ciências exatas e mesmo assim prefira história e geografia, ganhe as Olimpíadas de verbos, tenha letra bonita, que seja muito paquerado, possua aquele arzinho blasé dos vizinhos do Cone Sul com um olhar distante e certeiro, que ele tenha fé, mas sem comprometer sua inteligência e bom senso e que seja comunicativo apenas quando for necessário. Tudo isso porque acho que não há papel melhor e mais seguro do que o tipo “gatinho ou gatinha mistério cheio de si”. Eu e você, caro e parco leitor, sabemos que isso arrasa quarteirão. Aliás, eu que sempre fui falante demais, odiava essas e esses, mas no fundo sabia que eram “style”. Acho que quando ele vier passar férias em Penápolis sua prima que será super popular vai enturmar o priminho carioca na roda mais animada e disputada do pedaço e que os meninos vão querer matar aquele “carioca-argentino-folgado” que, com grande cinismo embrulhado num pacote falso de diplomacia, sairá por cima e sem socos pensando o quão bobos são os caipiras da Noroeste, mas que também fará bons amigos e que virá com prazer sentir e causar calores nas piscinas e quadras do Clube Penapolense. Aliás, tenho a impressão sem nem saber o porquê que ele vai gostar de basquete e natação e que será feliz, mas não muito porque felicidade excessiva é coisa de gente burra e ele será extremamente inteligente.

Claro que mais uma vez estou delirando e assim como com a amaríssima Cecília, espero que da forma que ele vier o mundo abra os braços cheio de possibilidades e que sua vida seja longa e publicável. Por que publicável? Ora, porque eu adoro biografias!




Abraços do Lucas, o mais Franco.

quarta-feira, outubro 15, 2008

O grande ofício


"A luz de seu olhar me permite sonhar"

Eu pensei muito antes de começar a escrever esse texto porque sei que posso acumular alguma inimizade e até um processo judicial, mas mesmo assim resolvi postar já que não deixaria nunca uma ou outra desclassificada pautar seja lá o que for na minha vida.

Hoje, dia quinze de Outubro é o tal Dia dos Professores e eu nunca me esqueço dessa data. Nunca mesmo! Esqueço até o aniversário de amigos e familiares, mas o Dia dos Professores é sempre lembrado e acho que isso se deve ao fato de eu ter tido grandes mestras e essa grandiosidade se manifestou ora pela competência, ora pelo carinho e também pela total aptidão para ensinar. Teve também muitas picaretas que ou eram só ruins ou eram ruins e canalhas. Porém no final prevaleceram aquelas que fazem do ensino o maior ofício que alguém pode ter.

A primeira figura que me vem à cabeça quando penso em professora é a Evanice, na época secretária do Museu onde minha mãe trabalhava e que me ensinou a escrever as primeiras palavras e ela o fez com tanto afinco que até hoje nossas letras se parecem. Não sei ao certo, mas tenho uma vaga lembrança de ter sido seu primeiro aluno, assim como ela foi a minha primeira professora e ainda rimos do quão errado eu falava. Era algo como: “Evanice, abre o Muçeu pra eu pegar a pipara que está lá denturu da sala?”. Aliás, fui uma criança neurótica porque além de falar muito errado, tinha mania de banhos (tomava no mínimo três por dia), ovos (comia três só pela manhã), vitamina de banana (feita pela Dona Dercília) e sorvete com o Vô Chiquinho (ele uma vaca preta e eu um Sunday). Mas, além disso, tinha o tique do Barbosa da TV Pirata e repetia três vezes a última palavra das sentenças (minhas e dos outros). Imagina quanto constrangimento devo ter causado.

Bem, voltando ao assunto, no primário fui alfabetizado por uma Senhora incrivelmente competente e de extrema sensibilidade e toda vez que me lembro dela sinto uma felicidade e uma ternura que me remete aos incríveis dias em que passei naquela sala de aula velha do Colégio das Freiras. Seu nome é Luiza, a minha Tia Luiza que era pra mim tão importante como a minha avó, uma vez que era fantástico como ela fazia do ensinar algo poético e belo e de como sabia lidar com os mais variados tipos de alunos. Eu a amava tanto que guardo ainda hoje um livro chamado “Uma pipa tão pipa no céu” com uma dedicatória dizendo que através da escrita e da leitura eu voaria solto e leve como uma pipa. Sim, eu adorava pipas e também peões de madeira e blocos de montar.

No ano seguinte fui aluno de uma psicopata seca (ela não teve filhos, felizmente) e embora devesse por precaução pular essa parte, prefiro falar mal. Essa mulher que não citarei o nome é monstruosa, incompetente e covarde, pois batia nos alunos e as freiras e toda a escola faziam e fazem (porque ela está lá até hoje) vista grossa ao método nazistinha dela. Bem, como não sou cristão e não tenho problemas em odiar, eu a odeio e quero que esse projeto de Demônio morra dolorosa e vagarosamente nas mãos daquelas enfermeiras que batem em velinhos gagás em asilos imundos. No ano seguinte fui aluno da Tia Mariza que era disputadíssima na matrícula porque além de competente tinha uma forma mais jovial de ensinar e não dava tarefa na sexta-feira. Muitas são as boas lembranças desse ano, mas as mais vivas em minha memória foram o dia em que ela ensinou Frações com barras de chocolate (que comemos depois) e também a quadrilha da Festa Junina (a dela era sempre a mais legal e inventiva).

Depois veio o Ginásio e agora tenho que pedir desculpas para Dona Cecília, professora de Português extremamente carinhosa que foi muito mal recebida por mim porque o fato é que na quinta-série fiz amizade com um “pessoal da pesada” que estudava na oitava e já estavam pixando muro e fumando Free escondidos e eu, fedelho metido, me enturmei e comecei a achar legal ser do mal. Eu não só a tratava com rispidez como ainda fazia tudo pra criar problemas e o maior deles foi quando ela passou uma atividade em que nós deveríamos escolher uma mercadoria qualquer e criar um merchandising novo ou aproveitar de outro produto de natureza distinta. Claro que o espírito de porco aqui aprontou e escolheu uma camisinha Jontex que tinha aos montes na gaveta do Francisquinho (eu até hoje não sei se ele usava tudo mesmo ou comprava pra fazer tipo). Bem, levei a camisinha e uma garrafa de cerveja Skol vazia. Abri o preservativo depois de ler como usar e coloquei na garrafa que simulava o pênis dizendo sarcasticamente para uma sala de crianças de dez, onze anos: “Sai dessa de morrer de Aids, abre uma Jontex!” Sei que isso é engraçado, mas morro de vergonha da minha agressividade gratuita nessa época.

Outro dia encontrei essa professora no Orkut e ela me deixou o seguinte depoimento: “Lucas, quero dizer o que sempre quis, você nunca saiu da minha memória, desde o primeiro dia de aula há tantos anos...mas, mais que o primeiro dia é a memória dos demais...incrível, não me lembro de quase ninguém daquela quinta série, mas nunca me esqueci de você!
Fico muito feliz que seja assim, essa pessoa tão iluminada, tão sábia e tão sincera.
Desejo que sua vida seja cheia de bênçãos.
Carinhosamente,
de alguém que nunca te esqueceu.
Um grande beijo”

Outras professoras também foram igualmente marcantes e são elas: Dona Jeni (ela me adorava e acreditava tanto no meu futuro), Dona Cristina (a risada mais contagiante e a melhor proposta didática que eu tive), Ana Sílvia (incrível professora de Redação), Arlete (devo confessar que até hoje tenho e consulto seus tópicos sobre Literatura Portuguesa e Brasileira), Nahara (essa foi sem dúvida a mais divertida e suas aulas era sempre movimentadas), Alvair (adorava um palavrão), Dona Márcia (uh, Tiazinha!), Dona Bety (que exigia a mais perfeita margem e legenda no caderno técnico), Dona Célia com suas apostas nunca pagas, Dona Marilda (a melhor professora de Geografia disparada), Dona Angélica (me fez ficar viciado em Análise Sintática na sétima série) , Seu Jáder (tirar sete com ele era nota alta) e em especial a Madá que nem cabe comentários de tão significante que foi.

Se eu for falar de todas não termino esse texto. Os não citados ou não deixaram marcas ou foram muito ruins e digo isso porque não me dou ao ridículo de fingir que tudo foi bom. Não, não foi e teve tipos que deveriam se envergonhar de entrar numa sala de aula. Portanto hoje, parabéns a todos os bons mestres que cruzaram meu caminho e deixaram marcas inesquecíveis porque pra mim ensinar é tão sagrado quanto parir e já disse Milton Nascimento que "tudo o que move é sagrado" e eu acredito piamente que quanto mais se ensina, mais aprende o que se ensina. Minha eterna gratidão e carinho.

Abraços do Lucas, o mais Franco.

domingo, junho 29, 2008

Made in Brazil. I'm so sorry!


"Brasileiros, chegou a hora de realizar o Brasil."
(Mário de Andrade em carta a Manuel Bandeira)
Olá pessoal!
Eu vivo me perguntando o porquê de na minha geração haver tanta gente com um sentimento de negação pela cultura popular brasileira. Sabe aquela gente deslumbrada que queria ter nascido em Londres ou Nova Iorque? Pois tenho encontrado essa gama de imbecis com uma facilidade absurda. Em São Paulo isso é mais comum de se ver no meio jovem “alternativo” (que de alternativo não tem nada além da estampa que é sempre uniformizada e em tons escuros porque é cosmopolita).
Outro dia conversando sobre a gravação de “Divino Maravilhoso” feita pelo Ney Matogrosso, a garota me disse que não gostou porque tinha pandeiro na música, depois outro rapaz me fala que não gosta de Rita Lee e que só gosta de Mutantes porque aquilo sim é “rock and roll”, uma moça na PUC me diz “na lata” que odeia canção popular e que só gosta de música eletrônica e que não aguenta ouvir nada que seja imbuído de brasilidade.
Toda vez que passo pela Augusta de noite olho para as baladas da moda e o que vejo são jovens com estereótipos da metrópole, ou seja, que podiam estar em qualquer grande cidade do mundo vestindo sua camiseta dos “Ramones”, seu “all star” de couro preto e seu “jeans” apertado que é fabricado pela Santista, mas tem a etiqueta das grifes da “SP Fashion Week” ou de qualquer outra semana de moda da Europa ou dos Estados Unidos. E nem precisa dizer que a música desses lugares também podia estar tocando em Nova Iorque, Londres, Paris ou Tóquio e é por isso mesmo que essa turma está lá. Pronto! Essa é a receita de sucesso de uma boa noite paulistana.
Em contrapartida nunca se valorizou tanto nossa cultura no mundo como hoje. Há lugares em que saímos da catalogação “world music” para “brazillian popular music” e isso porque temos uma das mais ricas e reverenciadas canções do globo. Hélio Oiticica e Lygia Clark estão sendo redescobertos através de publicações e mostras nos principais pontos de arte e pesquisa que existem. Paulo Freyre na educação, Lúcia Santaella, Cecília Almeida Salles e Arlindo Machado na Semiótica, José Celso Martinez Corrêa no teatro, Machado de Assis sendo publicado na França e muitos outros são nomes corriqueiros quando se fala em Brasil no exterior nas mais diversas áreas. Corriqueiros e referenciais, mas é claro que esse pessoal não está nem aí porque eles gastam o tempo para ficar antenado com as últimas tendências.
Essa semana mesmo tive mais uma prova desse deslumbramento com o que é estrangeiro devido ao falecimento da Ruth Cardoso. Ouvi o seguinte comentário: “Ela sim era um primeira-dama que nos honrava, tinha classe e sabia se comportar. Não essa farofeira mal vestida da Mariza Letícia. Ô casalzinho mais tupiniquim!” Bem, não vou entrar em discussões partidárias, mas o fato é que enquanto a Dona Ruth estava sendo bem formada em colégios e universidades da elite paulistana (tanto financeira como intelectual) e pôde se tornar uma poliglota e teórica, Dona Mariza estava trabalhando de babá, se casando, ficando viúva com uma criança no colo, casando com o Lula, ajudando o mesmo no sindicato, tendo o marido preso, segurando essa barra com o filho que já tinha e mais os filhos que teve com ele e passando os “perrengues” todos que já sabemos e que o PT adora lembrar nas campanhas para elevar a imagem do Presidente.
Isso só nos prova que a Dona Ruth é valorizada não pela sua obra que pouquíssimos devem ter lido ou até por sua atuação como primeira-dama, mas porque ela é o retrato da mulher emancipada ao estilo Sorbonne e a Dona Mariza é mais uma brasileira típica. Isso é que me deixa “puto da vida”! Lembro-me quando, na segunda posse do marido, ela foi muito criticada pela imprensa “nazistóide” devido ao vestido amarelo com o qual se apresentou. Esse vestido – muito bonito por sinal – tinha sido confeccionado por uma cooperativa de costureiras nordestinas e não tinha aquele “quê” de Europa ou Nova Iorque, sabe? Era regional demais!
Não quero parecer purista porque não sou e a prova disso é que ouço jazz, rock, consumo o “american way of life” de cada dia, gosto de música eletrônica e mais um monte de coisas que não são essencialmente brasileiras porque acredito que a produção cultural deve estar ao acesso de todos, não deve ter fronteiras, mas é que me convenço cada dia mais de que, aliado a uma ignorância gritante e um preconceito secular, o brasileiro tem um pavor tremendo de olhar no espalho e encontrar as mulatas do Di Cavalcanti, os “sararás” da Sandra de Sá, os operários da Tarsila do Amaral, as “mamas África” do Chico César, “o preto que você gosta” do Caetano, os Severinos do João Cabral de Mello Neto, as Gabrielas do Jorge Amado, as favelas do Noel Rosa, os Antonicos do Ismael Silva, os cortadores de cana dos artistas primitivos ou, como muitos preferem, naïf e assim por diante. Brasileiro só se sente confortável e orgulhoso em sua posição quando os jogadores da seleção jogam bem e aí é como se esses fossem “perdoados” por serem quase todos pretos. Nesse momento há uma espécie de alforria bem ao jeitinho brasileiro de ser – cínico e bárbaro!
Abraços do Lucas, o mais Franco.

terça-feira, junho 17, 2008

Quanto custa um sonho?

"Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda." Karl Gustav Jung

Dia de sol, beira de rio, moças lavando roupas com seus filhos brincando em volta. Entre todas elas destaca-se por beleza e formosura Adelaide, esposa do velho e rabugento Miltinho e mãe de Carolina. Adelaide é dessas que mesmo com vida castigante e sem muitas alegrias, mantém intactos o frescor da juventude e o viço de sua beleza morena com traços bem delineados e sensualidade brejeira, venusiana.


Enquanto trabalham na quebrada da soleira entoam um canto imbuído de dor e conformismo de uma gente que sabe que veio ao mundo num dia de pouca inspiração divina. Certa tarde, já bem cansada e desiludida de tudo, Adelaide avista no corte da cana Francisco que, como ela, é jovem, forte e viçoso e não consegue tirar os olhos desejosos de seu corpo moreno e bem feito. Vê nitidamente que é correspondida com o mesmo fervor e desejo e isso a ela é incomum.

As investidas no olhar já datam de algum tempo e Adelaide, como mulher casada e de respeito, trata de desviar qualquer flerte mesmo ciente de que o desejo arde e num lampejo de loucura pede para que uma amiga olhe a filha para se dirigir discretamente até o rapaz. Os dois marcam o encontro atrás da mercearia as oito em ponto, uma vez que o marido e a filha visitariam a sogra dela naquele dia. Como combinado Francisco a pegou no local e hora marcadas e a levou para um motel barato de estrada e Adelaide (que nunca soube o que é prazer nessa vida) refestelou-se nos braços do viril e envolvente homem.

Essa seria mais uma estória de infidelidade como tantas outras se a moça não resolvesse abandonar família, mas não para ficar com o amante e sim para "cair na estrada" e conhecer quantos homens fosse possível e onde fosse necessário. Foram muitas as boleias, matas e banheiros até que ela resolveu se empregar numa casa de moças e hoje, mais de vinte anos depois, é a proprietária do local que com letreiro néon sinaliza "Casa da Adelaide". É ali que ela se encontra sem nem pensar se usa ou é usada. Vez ou outra pensa na vida que deixou e até derrama umas lágrimas para depois passar uma boa camada de maquilagem em seu rosto já não tão belo e vestir seus vestidos extravagantes. Para ela a vida é assim mesmo e se os sonhos de menina não foram realizados a contento é outra estória...

Óbito

Não há música para surdos e nem cores para cegos

E tudo o que foi por ti projetado não cabe na tela de meu sonho

Ao anoitecer o céu negro trará estrelas sem destino algum

Nunca passe sem dizer ao menos adeus e nem faça da escuridão uma sina

Quem dera parar o tempo no instante daquele olhar

Poder sentir o sopro do vento e o aconchego do abraço

Hoje sei o quanto custa cozinhar os olhos em lágrimas

Buscar o pífio e incerto momento

O beijo já não adoça mais a alma e é bom saber que o desejo se esvai

Sua presença já não é vital e nem meus próprios sonhos são da forma que espero

Vivo com tal intensidade o presente que – quase sempre – me atraso para o futuro

(inspirado na composição “Hoje” de Moreno Veloso e nos muitos poemas da amiga Cecilia Egreja)

FESTA

Num outro tempo numa ilusão mais tola

Tudo é incerto e nada é pra já

O revólver do meu sonho atira pra onde eu mirar

Mas sem matar a ilusão de que amanhã é tudo luz e calor

DIÁLOGO IMPERTINENTE

(ou a razão interpela o sonho)

De onde vens?

Do irreal.

Você não é real! Como podes viver sem estar presente?

Porque não preciso da vida, sou maior.

E por que não se pronuncias? Por que ficas etéreo?

Porque sou soberano!

És soberano, mas não vives. E se não vive, por que ser?

Não vivo como matéria, mas vivo na paixão, nos anseios, na inquietação.

Eu sou palpável e tenho nuances, timbre e textura, sou profana e sagrada, sou baixa e sou alta, profunda e rasa, aguda e grave. Sou o que quero, quando e onde me dá na telha.

Você acha...

E por que ages com tamanha indiferença diante das coisas? Por que vives como se fosse incólume e indiferente?

Já disse que sou soberano. Enquanto precisas de matéria para existir e construir sua teia, eu só conto com o delírio, o silêncio, o sono, a loucura. Enquanto corres atrás do singular, eu já nasci plural.

Mas eu viro algo e você fica no pensamento. Sou concreto e você substância desconhecida.

Eu não viro porque sou mutação e conto com o acaso, enquanto você vai atrás da comprovação. Eu não tenho textura, sou apenas sensação, sedução e transito sem pedir licença. Você presta contas e eu não dou satisfação. Você vive de verbo e eu de silêncio.


domingo, junho 08, 2008

A paranóia nossa de cada dia.


Olá pessoal!


Quando criança morava numa casa que foi construída em mil novecentos e trinta e sete por meu vovô e sua encantada Júlia e digo encantada porque embora eu o amasse muito, tinha plena consciência que ele era e sempre fora desprovido de beleza, embora tivesse seus olhos azuis, seu nariz adunco (que pode ser um charme) e uma sedução ora brejeira, ora inteligente e na maioria dos casos certeira. Mas o fato é que na nossa cabeça de criança a casa era mal assombrada e isso não me afligia, uma vez que eu tinha certeza que era um vampiro sem poderes e que no lugar de sangue precisava tomar sorvete de doce de leite da Kibon e comer chocolate diamante negro diariamente.


Lembro-me que recebíamos nas férias alguns primos que eram o Tádzio, a Katiana, o Breno e mais quem aparecesse para passar férias na Cidade das Penas e minha diversão era levar todos para o “Assombradinho” – uma ex-casa de funcionários que na época já era um depósito de “não quero essa coisa aqui, mas não vou jogar fora. Manda pra lá”. Para uma criança era o paraíso, pois encontrávamos bicicletas e móveis da década de sessenta, fantasias de carnaval, escrivaninhas, tintas para canetas tinteiro da marca Kim, resto de materiais de construção, entre tantas outras coisas. Porém o lugar não tinha iluminação alguma mesmo que fosse duas horas da tarde e isso aliado a estórias contadas pela Ivana de fantasmas era um prato cheio. A mais assustadora era de que certa vez quando ela era criança e brincava no terraço começou a ouvir batidas e gritos na porta do lugar e, quando chegou para ver, os gritos viraram gemidos de dor e a porta parecia estar sendo forçada por alguém. Exatos quarenta segundos depois a porta se abre bruscamente e não tem nada além de plumas de travesseiros no ar.


Eu morria de medo, mas depois de um tempo saquei que era tudo mentira dela. Sem deixar de crer em fantasmas comecei a passar tardes inteiras no lugar e quando foi se aproximando as férias já comecei a pensar em como iria assustar os outros. Não precisei! Meu irmão Francisco teve a brilhante idéia de levar todas as crianças quando caiu a noite. O problema é que não havia energia elétrica por lá e fomos com uma vela acesa que ele mesmo segurava e que foi “casualmente” apagada no último cômodo sem que ele fizesse barulho algum. Acredito que todos podem imaginar o transtorno que foi para duas crianças de nove anos, mais uma de uns cinco saírem aos berros no mais completo breu tanto do lugar como da mente tão cheia de merda que temos nessa idade.


Porém esse não foi o pior susto que já levei na vida. Susto mesmo foi com a Susana, minha irmã. Eu devia ter uns treze anos e estava só no terraço brincando com o Godot e o Rufos. A brincadeira consistia em jogar uma bolinha no andar de baixo para ver qual cão pegaria e traria nas minhas mãos e assim eu estava fazendo a algum tempo. Num determinado momento os cães não voltaram, pararam de emitir som e fez-se um silêncio propício para o clima de horror. Suei frio e fui até a porta que estava trancada – o que me deixava encurralado ali.


Eu (pensando): Entrou um bandido, matou os cães e vai me matar também. Nem tenho para onde ir!


Olhei em volta e vi duas coisas que podiam me servir (vigas de madeira para construção e um conjunto de panelas tipo marmita) e como o bandido não se manifestava resolvi, chorando de pavor, mas sem fazer barulho e com a marmita na mão como se fosse um taco de madeira, descer as escadas e enfrentar meu oponente – no caso minha irmã que estava de calça jeans, camiseta branca e um boné que escondia seus cabelos, ou seja, um “trombadinha” típico.


Eu (pensando): Não vai adiantar ficar aqui e como vou ser morto por esse filho-da-puta irei ao menos tentar rendê-lo. Mas e se for mais de um?


Quando estava alucinado atrás dela, acho que fui pressentido e nesse momento ela se virou e eu levei alguns segundos para processar a informação parando com a “arma” bem próxima de sua cabeça num grito de absurdo pavor.
Ao ver quem era senti uma pontada no peito e falei ainda um pouco apavorado:

Eu: Sua idiota!
Ela (atônita): Você é louco?
Eu (certo de que ela fez de propósito): Não, você que é uma impertinente mesmo!
Ela (agora rindo muito): Eu não fiz nada! Você que é maluco.


Bem, o fato é que ela estava apenas segurando uma bolinha e os cães estavam quietos porque aguardavam o momento de correr novamente e eu imaginei toda essa fantasia em minutos de intenso pavor e essa não foi a única vez em que criei situações regadas a paranóias. Com o tempo as paranóias saem do universo fantástico e migram para o cotidiano e é aí que a galera surta mesmo. Eu acredito cada vez mais que virar adulto é entrar num processo “paranoisante” e que nos tornamos vampiros de nós mesmos, sendo que uns transam e outros continuam tomando sorvete e comendo chocolate. Ai, que saudade dos fantasmas do “Assombradinho”!


Abraços do Lucas, o mais Franco.

domingo, maio 04, 2008

"Meu mundo e nada mais"



Quem me conhece um pouco acaba me perguntando se eu gosto mais do Rio ou de São Paulo e eu – sempre muito polido e sincero – respondo que gosto das duas e que gosto tanto que queria ser milionário o suficiente para ter uma cobertura de dois andares na Gávea e outra na Avenida Paulista (naquele prédio bem alto próximo ao Conjunto Nacional). Milionário o suficiente para não fazer nada que lembrasse trabalho em hipótese alguma e arrumar preceptores inteligentíssimos e super intelectualizados para estudar filosofia, arquitetura, história da música, das artes plásticas, vídeo-arte, performances (para tentar ao menos desconfiar do que isso se trata), história geral e do Brasil e mais tudo o que me desse na telha.

É claro que muito provavelmente eu não serei assim nunca e embora isso seja uma tristeza e melancolia latentes de meu coraçãozinho classe-média, tenho sempre que inventar uma vida pra mim.

Quando eu vivia no Rio de Janeiro dava muito menos bola para praia do que hoje em dia, era branco feito um morador de Campos do Jordão e usava a Orla de Copacabana todos os dias para caminhar meus quinze quilômetros por noite. Sim, eu esperava o sol desaparecer por completo ou então freqüentava a Praia do Leme ou do Arpoador bem cedinho, de manhã e, quando o sol ia começar a tostar, me mandava. Abominava praia cheia! Hoje, quando vou até o mar, passo o dia inteiro e fico na maior alegria quando a praia enche. Também tinha como um de meus programas preferidos ir até a Livraria da Travessa (a mais tradicional da cidade) e ler livros inteiros sem comprar nem um postal. Até hoje não entendo como aquela gente podia ser tão simpática comigo, um cara-de-pau profissional que nunca nem café tomou por lá.

Quanto às aventuras gastronômicas, eu sempre comia lanches no Cervantes, no Bar Baco, cachorro-quente de forno numa lanchonete atrás do Copacabana Palace, sorvete no Alex lá no Posto 2 ao lado da Duvivier (diziam que Roberto Marinho mandava seu motorista buscar o sabor pistache e creme), lanchinhos no Leme Light, entre tantos outros “points” de comida barata, gostosa e nada saudável. E como era duro! Eu até hoje não sei como conseguia viver bem por lá!
Porém o que me deixava feliz de fato era a casa Peters carioca. Lá viviam Ana, Afonso e Jana e todos os três são fantásticos e fonte riquíssima para muitas e muitas crônicas. Vocês já viram aquelas famílias que não “douram a pílula”? Eles são assim, ou seja, falam e brigam alto, gostam de “botecar”, são claros, dizem tudo na lata e se amam imensamente, mas tanto que sempre estão aptos a acolher mais um e assim o fizeram comigo. Não que eu tenha morado com eles, mas passei a freqüentar a residência e não sai mais. Ou melhor, sai para me mudar para São Paulo e até hoje sinto uma saudade rascante e acho que não acharei em nenhum outro lugar uma família similar.

Quanto à São Paulo, eu adoro viver aqui. Gosto dos amigos que fiz e faço, gosto da agitação cultural e metropolitana, adoro caminhar pela Avenida Paulista e pela Rua Augusta, de comer “croissant” no Benjamin Abrahão, doces na Elite e na Dona Deola, de ler também gratuitamente na Livraria Cultura (porém aqui não fico tão à vontade porque são menos amistosos), de fazer supermercado de madrugada na Monte Alegre, de ir ao Cine Unibanco, ficar ouvindo discos no Neto, dos showzinhos de música da Vila Madalena, das baladas mais estranhas e impróprias, de ir aos shows do Ibirapuera e de ficar tentando entender “a dura poesia concreta de suas esquinas” e claro que também dos museus e galerias que faz de São Paulo o único lugar onde você realmente se sente “cult bacaninha”.

Aqui também tenho refúgios que são as casas da Daisy e do Carlos com sua infanta Letícia (família que também não economiza no amor e que vive com a casa cheia), das moças “lá de cima” (Júlia e Ana do ES e Aline de Sergipe), da Alessa – a ingrata que eu mais amo e mais algumas aí. O fato é que mais uma vez eu concordo com o Oscar Niemeyer quando perguntaram o que ele achava mais importante na vida e ele respondeu laconicamente que eram as pessoas. Porque umas poucas certezas todos tem, dúvidas surgem com a velocidade da luz (e isso é muito produtivo), sonhos via de regra não se realizam, a vida é para ser dura mesmo (cada dia mais acredito que a gente nasce pra se foder mesmo), mas as pessoas é que nos salvam e infeliz de quem não as possuem. Não quero ficar aqui defendendo aquelas pieguices de sejamos amigos e vamos todos nos amar, apenas declarando meu mais profundo amor a quem quero bem e às cidades que me acolheram. Acho que hoje posso me considerar um “penapolense meio bossa nova e rock and roll”. Porque o Rio é charmoso como a bossa e São Paulo é árido e vibrante como o rock.

Abraços do Lucas, o mais Franco.

quinta-feira, maio 01, 2008

Viver... só me faltava mais essa!


Olá pessoal!

Hoje estava pensando em como as pessoas extrapolam o bom senso ao se verem na difícil tarefa de conviver em grupo. A impressão que eu tenho é a de que vai chegar um momento em que todos terão que tomar um remédio qualquer para conseguirem, ao menos dopadas, dividir espaço, atenção, coisas e mais o que tenha que ser compartilhado. Como é duro! E eu já quero o meu remédio logo.

Bem, estava no ônibus que me trouxe de São Paulo para Penápolis quando me deparo com uma passageira ao meu lado muito espaçosa e que, dormindo e roncando, jogava seu corpo para o meu lado e me acordava com o inesperado contato (isso porque eu é que estava acomodado no corredor). Lá pelas três horas da manhã e já não tão cavalheiro assim me dirigi a ela cutucando-a:

Eu: Moça, moça!


Ela (acordando atônita): Oi!


Eu (muito direto): Você ronca e joga seu corpo para o meu lado e com isso não consigo dormir.


Ela fez uma cara de surpresa.


Eu (extremamente didático): Pois é... o fato é que seu ronco pode ser uma anomalia do sono e para isso cabe um médico, mas seu corpo em cima do meu é um problema de fácil solução. Basta que você jogue seu corpo para o lado da janela e aí eu posso tentar ignorar seu ronco e tentar também dormir.


Ela (muito sem graça): Ah, tá! Vou tentar.


Eu (ainda amigável): Sim, e vai conseguir! Qualquer coisa eu te acordo e vamos os dois olhando um pra cara do outro até o final da viagem. Acordados!


Ela (agora mais confiante): Não precisa! Vou conseguir.


Eu (agora querendo rir): Eu sei que vai!

Claro que você, caríssimo e escasso leitor, pode achar minha atitude exagerada, mas o fato é que a Senhorita veio deste momento até Penápolis sem nem encostar mais em mim e eu pude exercitar o meu direito de poder dormir numa viagem de sete horas pela madrugada fria e úmida que fazia. E é aí que me pergunto o porquê dela não ter esse cuidado antes de alguém criar um clima desagradável como foi o caso. Será assim tão difícil entender que dentro de um ônibus a gente não pode se sentir na poltrona da sala de nossa casa e ficar tão à vontade? Eu sinceramente não entendo o porquê desta falta de protocolo das pessoas e, falando bem francamente, nem quero.

Outro caso desta natureza é a sala de aula. Eu abomino essa gente que vai pra aula copiar resuminho de lousa sem ter lido a matéria previamente e o fato é que NUNCA em toda a minha vida tive cadernos completos e resumos porque sempre gostei mais de questionar e debater do que de copiar. Confesso que sempre tive um certo desprezo por aluno que não abre a boca e não participa, mas pior do que esse é aquele que não quer que a aula seja debatida porque prefere o conteúdo mastigado. Isso é o final dos tempos! Fogueira para eles! Semana passada entrei numa briga por causa disso numa aula sobre como a tecnologia influenciou as mudanças das artes plásticas. Para ficar mais fácil de entender, vai uns exemplos: Como foi o impacto do surgimento da fotografia na produção plástica de sua época? Ou ainda qual o impacto do surgimento do trem e da Revolução Industrial na produção de sua época? Enfim, tema interessantíssimo com professora imperdível e aí vai o que ocorreu por causa de um idiota fruto do processo de analfabetização do Brasil (esse sim um projeto levado a sério neste país):

Professora: Quando vemos Van Gogh enlouquecido para tentar entender a arte do Monet criando um novo estilo...


Aluno (interrompendo): Professora, mas essa aula vai cair na prova ou não?


Eu (não agüentando): Fique tranqüilo que você não vai conseguir entender caindo ou não na prova. Eu hein!


Professora (com um sorriso de canto de boca): Gente, não se preocupem com a avaliação agora que vou dizer o que quero logo mais.


Aluna (do mesmo naipe): Mas... você vai deixar o material na xérox, né?


Eu (só para atrapalhar): Professora, volte ao Van Gogh porque eu quero ter aula. Depois essa gente se bate disputando fila na xérox e quem sabe eles não se matam. Já pensou?

Nem preciso dizer que virou um tumulto só e que a professora, que me adora e é sarcástica, riu sem nem tentar disfarçar.


Outra coisa que não consigo compreender é a questão das filas para gestantes, idosos e deficientes (que acho mais do que justo) ser tão banalizada. Estava eu numa agência do Banco Real da Alameda Santos quando chega uma moça obesa com seus vinte e poucos anos e pega a senha preferencial ao invés da senha normal. Todos que estavam sentados esperando muito porque a agência estava cheia se entreolharam pensando o mesmo que eu, ou seja, o que tem essa moça além de uns quilos a mais. Juro que desta vez pensei que não iria me indispor, mas ocorreu que bem na hora de me chamar vi que a senha dela passou na minha frente no sistema e fui junto com ela:


Eu: Moça, qual é a sua? Porque você não está com barriga de grávida, não é deficiente e muito menos idosa.


Ela (muito cara-de-pau): Eu estou grávida, sim!


Eu (bem incisivo): Ah, não está não! Você está obesa e isso é bem diferente! Acontece que tem muita gente esperando e ninguém está disposto a cair no seu truque. Bem, eu pelo menos não vou!


Ela (chocada): Estou grávida sim!


Eu: E onde está o seu exame? Quero vê-lo agora! Vocês não querem?


Quando olhei o caixa estava rindo disfarçadamente e logo veio outro funcionário para continuar com a fila e eu fui atendido ao mesmo tempo que a falsa gestante. E não sintam dó porque eu sei o que é uma barriga de grávida e a dela não era!


Eu poderia ficar aqui escrevendo por horas situações deste tipo, mas acho que já me cansei de mim, de você e de tudo isso e hoje vou ficar por aqui. A minha única pergunta é: Por quê a convivência social está ficando tão difícil? Parece até que está tudo em suspensão e que não há mais parâmetros. Como pode?

Abraços do Lucas, o mais Franco.

terça-feira, abril 15, 2008

O casamento - esse acontecimento outra vez!


Quem realmente lê esse blog sabe o quanto eu gosto e sei me comportar em casamentos. São de fato grandes e emocionantes eventos e eu não perco nenhum para o qual sou convidado. Porém o que me fez escrever hoje foi o casamento da Mariana lá de Penatown.


Bem, eu a conheço desde criança porque nossos pais são muito amigos desde sempre (aquele tipo de amizade onde as famílias fazem tudo juntas e que hoje em dia é muito bem representada em “Desperate Housewives). O casamento ocorreu em Ribeirão Preto e tínhamos que sair depois do almoço de Páscoa para tomar um chope no lendário Pingüim, jantar e pernoitarmos, mas como tudo, absolutamente tudo entre os Francos vira um grande e exagerado problema, os planos não foram assim seguidos à risca:

Almoço de Páscoa, ou seja, um “levíssimo” bacalhau num calor exagerado e típico da Noroeste paulista:


PAPAI (muito calmo e meigo): Vai, vamos logo que eu não quero pegar essa estrada ruim de noite!
MAMÃE: Eu já estou pronta!
EU (como sempre o mais lúcido): Mas nós vamos sair daqui com esse sol a pino depois de comer uma bacalhoada?
MAMÃE (brava): Seu pai, seu pai!
PAPAI: É... Vamos! O carro é meu e eu que decido quando sair. O dia em que você tiver o seu carro, você decide.

Numa fração de segundo pensei comigo mesmo que eu não precisava ir a esse casamento um dia antes do mesmo acontecer porque não estou mesmo podendo beber e que mesmo que estivesse, jamais sairia para uma viagem com a intenção de tomar um mísero chope e comer uma coisa qualquer de boteco metido a besta de uma caipirada rica da “Califórnia brasileira”. Pensei ainda que não fazia o menor sentido sair tão cedo para um trajeto de três horas só porque a estrada é ruim e que sendo ela perigosa, será assim de dia, de noite ou de manhã e que deveria ligar o “foda-se” e arrumar outra maneira de ir.

EU (me esforçando para parecer calmo e altivo diante dos dois): Então vão vocês que eu não vou.
MAMÃE (agora muito brava começa a tirar minha roupa e sapato da mala) e diz: Vamos logo e eu dirijo!
PAPAI (me deixando algum dinheiro e muito impaciente): Não, eu dirijo!

Fecharam a porta e partiram. Eu atravessei a rua e fui falar com uma vizinha também amiga que partiria no dia seguinte para o casamento que seria às dez horas da manhã. Combinei tudo com ela e lá fomos nós bem cedinho para a cerimônia que ocorreu numa capela de bairro. Chegando ao destino fomos pedir informação sobre o local para uma moça num posto de gasolina.

Ela tinha cara de dopada por algum desses medicamentos que tiram a pessoa da depressão e jogam na demência e não obtivemos muito sucesso. Depois de muito andarmos, chegamos antes de todo o mundo com a igreja praticamente vazia e aos poucos foram chegando todos. Mamãe era uma das mais elegantes e como diria um velho familiar, estava “tão bonita como a primeira-dama do Acre”.


Passado todo o “blá” religioso fomos para a festa que seria num sítio e eu pensando que o lado bom de não estar bebendo é que não correria o risco de me comportar inapropriadamente como no casório do Francisquinho. Ledo engano! Bem que dizem que vez ou outra o destino nos prega alguma peça e foi exatamente isso o que me aconteceu.


O fato é que ao nos acomodarmos percebi que teria que trazer uma mesa de longe para juntar toda a turma e lá vou eu fazer isso com uma mesa de ferro pesada que ao chegar em seu destino final e ser colocada no chão por mim - que estava agachado para a tarefa – percebi um som de calça rasgando no traseiro. O detalhe é que a calça era branca e a cueca azul-marinho e ela rasgou na costura deixando toda a minha bunda de fora. Como nessas horas penso rápido, sentei correndo na cadeira para que ninguém me visse, ou melhor visse a minha parte mais imprópria e me dirigi à Suzana:

EU: Onde estão meus pais hein?
ELA: Ainda não chegaram
EU: Ah! É mesmo? Bem, eu não posso levantar daqui por nada.
ELA: Por quê?
EU (rindo, mas muito nervoso): Porque estou com a bunda exposta, minha calça rasgou e eu preciso que meu pai busque a calça que ele usou ontem e me empreste.
ELA (rindo e nem um pouco nervosa): Não acredito!Isso já aconteceu comigo num chá lá em Penápolis e fiquei sentada durante todo o evento.
EU: Pois é...

Assim que avistei meu pai ele já foi avisado do ocorrido e foi buscar a calça enquanto todos na mesa riam e ironizavam o fato de que o banheiro onde eu teria que me trocar ficava bem longe e que para tal eu teria que atravessar toda a festa. Bem, enquanto a calça não vinha e eu ficava sentado sem me levantar nem para cumprimentar quem quer que fosse, comecei a bolar um plano para discretamente efetuar a troca da vestimenta sem tornar pública minha bunda e deixar no holofote apenas o noivo, a noiva e seu buquê.


Meu pai chegou, me deu a calça e eu já com o itinerário na cabeça comecei a correr de costas para os convidados em direção a uma porta aberta (que era a casa do caseiro onde sua filhinha de uns sete anos brincava na porta enquanto via um traseiro azul-marinho). Ninguém entendeu nada e a mesa que entendeu (a minha) ria alto chamando a atenção para o fato. Ao chegar na casa e entrar (de costas) a família assistia ao programa “Estrelas” e ficou com aquela cara de pasmados.

EU: Onde tem um banheiro? É urgente! Preciso trocar de roupa.

A mãe e dona da casa me apontou atônita e calada a direção sem tirar os olhos de minha bunda e enfim resolvi o probleminha voltando para festa sem infortúnios maiores.

Abraços do Lucas, o mais Franco.

PS: Para quem ainda não leu, veja no índice ao lado “O casamento, esse acontecimento”.

quarta-feira, março 12, 2008

Quem vai querer comprar bananas?


Olá pessoal!

Li agorinha mesmo uma notícia que dizia que a Polícia Federal de Fortaleza anda barrando alguns espanhóis que não tenham uma quantia em dinheiro vivo, endereço comprovado, algum pacote turístico previamente contratado e/ou motivo forte para entrar no Brasil. E o melhor é que fazem tudo isso com pouca delicadeza e em português - ou seja - quem não fala nosso idioma fica perdido e não entende muito bem a situação, o que deve causar certo receio e até medo por parte do estrangeiro.

Claro que essa nova postura não vai ajudar muito no combate ao turismo sexual praticado em todo o litoral brasileiro em especial no Nordeste, mas mesmo assim não deixa de ser uma satisfação aos brasileiros tão mal recebidos na Europa e em especial na Espanha.
Porém a questão que mais me choca, além de terem dispensado tratamento tão ultrajante à estudante da USP, é o fato de que só agora quando a filha da classe média sofre preconceito é que a mídia assume essa denúncia e o Itamaraty resolve mexer o seu traseiro elitista e cobrar alguma desculpa. Sim, porque enquanto tínhamos apenas moças e moços pobres que saem daqui para trabalhar em subempregos e se prostituir forçadamente ou até mesmo por vontade própria por todo o velho continente e em especial na Espanha, em Ibiza, ninguém se atentava ao problema. A Globo mesmo, através do Alexandre Garcia com carinha de preocupado, dizia que os Órgãos Diplomáticos Brasileiros não estavam mais agüentando o número de chamadas de cidadãos enrascados com tráfico de drogas, prostituição, roubos e situação ilegal no exterior e que, com isso, podem não ter dado a devida atenção à estudante, uma vez que estavam mesmo negligenciando as tarefas normais e burocráticas para a qual são destinados.
Agora eu pergunto o quê deve ser mais importante para um diplomata brasileiro do que a situação de seus conterrâneos no país que o mesmo está em missão? Que grandes acordos comerciais ou políticos extremamente benéficos para o Brasil eles estavam tramando que não podiam designar alguém para a Alfândega socorrer uma pesquisadora em apuros com a truculência ignorante de um meganha de aeroporto?

Para mim isso cheira a descaso dos grandes e se tivéssemos um governo mais sério e um corpo diplomático ciente de sua verdadeira função essa moça não teria passado nem uma hora sequer no borralho destinado aos latinos em geral.
Enquanto estivermos com a "bunda exposta na janela" para passarem a mão, não seremos nada mais do que bananas podres e sucesso no estrangeiro não será mais Carmem Miranda, mas as prostitutas e os michês gostosos e explorados do balneário. A realidade é que não passamos de exportadores de "carne" para saciar o apetite sexual de nossas antigas metrópoles. Foram-se as matérias-primas, os ouros e pratas e agora começam a ir o fruto de toda a miséria gerada por séculos de exploração.

Apenas uma coisa não muda nesse filme pornô, clichê e grotesco: o fodido e o fodedor.

Abraços do Lucas, o mais Franco.