NADA aqui tem compromisso com coerência ou regras em geral. É puro desfrute, cinismo, tesão e frustração...
sexta-feira, março 02, 2012
No Escuro...
sexta-feira, janeiro 13, 2012
Fogo Amigo

quarta-feira, novembro 24, 2010
O Nefasto!

quarta-feira, agosto 18, 2010
A Beleza da Manga

quarta-feira, março 25, 2009
Descarados!

terça-feira, março 17, 2009
Tragédia Brasileira - Manuel Bandeira.

Olá pessoal!
Eu adoro esse conto do Bandeira e por isso imaginei em cima e escrevi uma "novela de rádio". Espero que gostem do roteiro e tirei as indicações de efeitos sonoros que devem estar no roteiro pra leitura fluir melhor.
Misael, funcionário da Fazenda, com sessenta e três anos de idade, conheceu Maria Elvira na Lapa, - prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria. Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado. Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa. Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa. Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.
Locutor 1 – NARRADOR
MISAEL, FUNCIONÁRIO DA FAZENDA, COM SESSENTA E TRÊS ANOS DE IDADE CONHECEU MARIA ELVIRA NA LAPA - PROSTITUTA, COM SÍFILES, DERMATITE NOS DEDOS, UMA ALIANÇA EMPENHADA E OS DENTES EM PETIÇÃO DE MISÉRIA.MISAEL TIROU MARIA ELVIRA DA VIDA, INSTALOU-A NUM SOBRADO NO ESTÁCIO, PAGOU MÉDICO, DENTISTA, MANICURA... DAVA TUDO QUANTO ELA QUERIA E QUANDO MARIA ELVIRA SE APANHOU DE BOCA BONITA, ARRANJOU LOGO UM NAMORADO.
MISAEL NÃO QUERIA ESCÂNDALO. PODIA DAR UMA SURRA, UM TIRO, UMA FACADA. NÃO FEZ NADA DISSO! MUDOU DE CASA E VIVERAM TRÊS ANOS ASSIM.
TODA VEZ QUE MARIA ELVIRA ARRANJAVA NAMORADO, MISAEL MUDAVA DE CASA.
Locutor 2 - MISAEL
Locutor 3 – MARIA ELVIRA
[firme] NUNCA TE ENGANEI! [displicente] TU NÃO TENS O DIREITO DE ME EXIGIR ESSE TIPO DE COISA PORQUE EU TAMBÉM NÃO LHE COBRO NADA.
Locutor 2 - MISAEL
Locutor 3 – MARIA ELVIRA
[debochada] VAGABUNDA, MERETRIZ, PROSTITUTA? SEI QUE É ISSO O QUE PENSASTE EM DIZER. POR QUÊ NÃO FALA? NÃO É HOMEM PARA ISSO? NÃO AGUENTA ASSUMIR QUE SE CASOU COM UMA PISTOLEIRA. PORQUE É ISSO O QUE EU SOU.
Locutor 2 - MISAEL
Locutor 3 – MARIA ELVIRA
[displicente] NÃO LHE PEDI UMA VIDA DECENTE!
Locutor 2 - MISAEL
Locutor 3 – MARIA ELVIRA
Locutor 2 - MISAEL
Locutor 3 – MARIA ELVIRA
Locutor 2 – MISAEL
[em frangalhos, desesperado] COMO NÃO ME AMAS? NUNCA ME AMASTE OU DEIXASTE DE ME AMAR? GOSTOU DE MIM ALGUM DIA OU APENAS ME USOU?
Locutor 3 – MARIA ELVIRA
Locutor 2 - MISAEL
Locutor 3 – MARIA ELVIRA
Locutor 2 - MISAEL
Locutor 3 – MARIA ELVIRA
Locutor 2 - MISAEL
Locutor 3 – MARIA ELVIRA
Locutor 2 - MISAEL
Locutor 3 – MARIA ELVIRA
Locutor 1 - NARRADOR
terça-feira, março 03, 2009
Esperando Dante.
Hoje eu tive um sonho, mas estava acordado e fico feliz que tenha sido assim porque os mais belos devem ser sempre conscientes. Sonhei com um menino bonito, forte, íntegro, feliz e leve. Ele já tem nome e é real. Trata-se do Dante, filho da Susaninha e do Adrián.
O Dante não será o primeiro neto ou sobrinho, mas estou certo que assim como a Cecília também trará o seu encanto e charme, uma vez que é filho de uma penapolense que fez balé obrigada, fugiu do Catecismo e nunca matou a curiosidade de experimentar a hóstia sagrada, que ao invés de vôlei preferiu “handball” e tênis, que fez penteado anos oitenta e quer morrer quando vê as fotos, que achava festa de debutante uma coisa hedionda de tão cafona, que estapeou o “galã” nipônico porque ele era engraçadinho demais, brigou com um rapaz de dois metros no recreio, pensou em ser jornalista e atriz, mas acabou tornando-se uma nobre advogada, que inventou para uma amiga que tinha uma irmã gêmea e colocou a criatura pra falar com a suposta no telefone e de um argentino de Santa Fé – que mesmo vindo de uma cidade chamada Moises Ville não sabe nem onde fica a Sinagoga mais próxima de sua casa e quando ouve, se é que já ouviu, alguém falando em hebraico, se pergunta qual língua exótica seria aquela e que, pasmem, me acha louco só porque logo no primeiro mês de casado eu cheguei em sua casa às seis horas da manhã aos prantos dizendo que ia morrer devido a uma cólica, provavelmente de rim e também porque não gosto que ele ande de mãos dadas com minha irmã e apenas sua esposa quando estamos os três juntos.
Bem, assim como aconteceu e acontece com a Cecília eu também imagino o Dante e ele é um carioquinha que corre pra Ipanema apenas nos finais de semana porque os progenitores adoram morar em Laranjeiras e querem que ele estude a semana toda e que vá ao Inglês, que é a sensação da sala porque fala “español”, que tem do pai o nariz, os cachos pretos e da mãe a testa grande e o bico quando emburra. Creio e espero com todo o afinco que ele seja um bom aluno, saiba desenhar, entenda bem as ciências exatas e mesmo assim prefira história e geografia, ganhe as Olimpíadas de verbos, tenha letra bonita, que seja muito paquerado, possua aquele arzinho blasé dos vizinhos do Cone Sul com um olhar distante e certeiro, que ele tenha fé, mas sem comprometer sua inteligência e bom senso e que seja comunicativo apenas quando for necessário. Tudo isso porque acho que não há papel melhor e mais seguro do que o tipo “gatinho ou gatinha mistério cheio de si”. Eu e você, caro e parco leitor, sabemos que isso arrasa quarteirão. Aliás, eu que sempre fui falante demais, odiava essas e esses, mas no fundo sabia que eram “style”. Acho que quando ele vier passar férias em Penápolis sua prima que será super popular vai enturmar o priminho carioca na roda mais animada e disputada do pedaço e que os meninos vão querer matar aquele “carioca-argentino-folgado” que, com grande cinismo embrulhado num pacote falso de diplomacia, sairá por cima e sem socos pensando o quão bobos são os caipiras da Noroeste, mas que também fará bons amigos e que virá com prazer sentir e causar calores nas piscinas e quadras do Clube Penapolense. Aliás, tenho a impressão sem nem saber o porquê que ele vai gostar de basquete e natação e que será feliz, mas não muito porque felicidade excessiva é coisa de gente burra e ele será extremamente inteligente.
Claro que mais uma vez estou delirando e assim como com a amaríssima Cecília, espero que da forma que ele vier o mundo abra os braços cheio de possibilidades e que sua vida seja longa e publicável. Por que publicável? Ora, porque eu adoro biografias!
Abraços do Lucas, o mais Franco.
quarta-feira, outubro 15, 2008
O grande ofício

Eu pensei muito antes de começar a escrever esse texto porque sei que posso acumular alguma inimizade e até um processo judicial, mas mesmo assim resolvi postar já que não deixaria nunca uma ou outra desclassificada pautar seja lá o que for na minha vida.
Hoje, dia quinze de Outubro é o tal Dia dos Professores e eu nunca me esqueço dessa data. Nunca mesmo! Esqueço até o aniversário de amigos e familiares, mas o Dia dos Professores é sempre lembrado e acho que isso se deve ao fato de eu ter tido grandes mestras e essa grandiosidade se manifestou ora pela competência, ora pelo carinho e também pela total aptidão para ensinar. Teve também muitas picaretas que ou eram só ruins ou eram ruins e canalhas. Porém no final prevaleceram aquelas que fazem do ensino o maior ofício que alguém pode ter.
A primeira figura que me vem à cabeça quando penso em professora é a Evanice, na época secretária do Museu onde minha mãe trabalhava e que me ensinou a escrever as primeiras palavras e ela o fez com tanto afinco que até hoje nossas letras se parecem. Não sei ao certo, mas tenho uma vaga lembrança de ter sido seu primeiro aluno, assim como ela foi a minha primeira professora e ainda rimos do quão errado eu falava. Era algo como: “Evanice, abre o Muçeu pra eu pegar a pipara que está lá denturu da sala?”. Aliás, fui uma criança neurótica porque além de falar muito errado, tinha mania de banhos (tomava no mínimo três por dia), ovos (comia três só pela manhã), vitamina de banana (feita pela Dona Dercília) e sorvete com o Vô Chiquinho (ele uma vaca preta e eu um Sunday). Mas, além disso, tinha o tique do Barbosa da TV Pirata e repetia três vezes a última palavra das sentenças (minhas e dos outros). Imagina quanto constrangimento devo ter causado.
Bem, voltando ao assunto, no primário fui alfabetizado por uma Senhora incrivelmente competente e de extrema sensibilidade e toda vez que me lembro dela sinto uma felicidade e uma ternura que me remete aos incríveis dias em que passei naquela sala de aula velha do Colégio das Freiras. Seu nome é Luiza, a minha Tia Luiza que era pra mim tão importante como a minha avó, uma vez que era fantástico como ela fazia do ensinar algo poético e belo e de como sabia lidar com os mais variados tipos de alunos. Eu a amava tanto que guardo ainda hoje um livro chamado “Uma pipa tão pipa no céu” com uma dedicatória dizendo que através da escrita e da leitura eu voaria solto e leve como uma pipa. Sim, eu adorava pipas e também peões de madeira e blocos de montar.
No ano seguinte fui aluno de uma psicopata seca (ela não teve filhos, felizmente) e embora devesse por precaução pular essa parte, prefiro falar mal. Essa mulher que não citarei o nome é monstruosa, incompetente e covarde, pois batia nos alunos e as freiras e toda a escola faziam e fazem (porque ela está lá até hoje) vista grossa ao método nazistinha dela. Bem, como não sou cristão e não tenho problemas em odiar, eu a odeio e quero que esse projeto de Demônio morra dolorosa e vagarosamente nas mãos daquelas enfermeiras que batem em velinhos gagás em asilos imundos. No ano seguinte fui aluno da Tia Mariza que era disputadíssima na matrícula porque além de competente tinha uma forma mais jovial de ensinar e não dava tarefa na sexta-feira. Muitas são as boas lembranças desse ano, mas as mais vivas em minha memória foram o dia em que ela ensinou Frações com barras de chocolate (que comemos depois) e também a quadrilha da Festa Junina (a dela era sempre a mais legal e inventiva).
Depois veio o Ginásio e agora tenho que pedir desculpas para Dona Cecília, professora de Português extremamente carinhosa que foi muito mal recebida por mim porque o fato é que na quinta-série fiz amizade com um “pessoal da pesada” que estudava na oitava e já estavam pixando muro e fumando Free escondidos e eu, fedelho metido, me enturmei e comecei a achar legal ser do mal. Eu não só a tratava com rispidez como ainda fazia tudo pra criar problemas e o maior deles foi quando ela passou uma atividade em que nós deveríamos escolher uma mercadoria qualquer e criar um merchandising novo ou aproveitar de outro produto de natureza distinta. Claro que o espírito de porco aqui aprontou e escolheu uma camisinha Jontex que tinha aos montes na gaveta do Francisquinho (eu até hoje não sei se ele usava tudo mesmo ou comprava pra fazer tipo). Bem, levei a camisinha e uma garrafa de cerveja Skol vazia. Abri o preservativo depois de ler como usar e coloquei na garrafa que simulava o pênis dizendo sarcasticamente para uma sala de crianças de dez, onze anos: “Sai dessa de morrer de Aids, abre uma Jontex!” Sei que isso é engraçado, mas morro de vergonha da minha agressividade gratuita nessa época.
Outro dia encontrei essa professora no Orkut e ela me deixou o seguinte depoimento: “Lucas, quero dizer o que sempre quis, você nunca saiu da minha memória, desde o primeiro dia de aula há tantos anos...mas, mais que o primeiro dia é a memória dos demais...incrível, não me lembro de quase ninguém daquela quinta série, mas nunca me esqueci de você!
Fico muito feliz que seja assim, essa pessoa tão iluminada, tão sábia e tão sincera.
Desejo que sua vida seja cheia de bênçãos.
Carinhosamente,
de alguém que nunca te esqueceu.
Um grande beijo”
Outras professoras também foram igualmente marcantes e são elas: Dona Jeni (ela me adorava e acreditava tanto no meu futuro), Dona Cristina (a risada mais contagiante e a melhor proposta didática que eu tive), Ana Sílvia (incrível professora de Redação), Arlete (devo confessar que até hoje tenho e consulto seus tópicos sobre Literatura Portuguesa e Brasileira), Nahara (essa foi sem dúvida a mais divertida e suas aulas era sempre movimentadas), Alvair (adorava um palavrão), Dona Márcia (uh, Tiazinha!), Dona Bety (que exigia a mais perfeita margem e legenda no caderno técnico), Dona Célia com suas apostas nunca pagas, Dona Marilda (a melhor professora de Geografia disparada), Dona Angélica (me fez ficar viciado em Análise Sintática na sétima série) , Seu Jáder (tirar sete com ele era nota alta) e em especial a Madá que nem cabe comentários de tão significante que foi.
Se eu for falar de todas não termino esse texto. Os não citados ou não deixaram marcas ou foram muito ruins e digo isso porque não me dou ao ridículo de fingir que tudo foi bom. Não, não foi e teve tipos que deveriam se envergonhar de entrar numa sala de aula. Portanto hoje, parabéns a todos os bons mestres que cruzaram meu caminho e deixaram marcas inesquecíveis porque pra mim ensinar é tão sagrado quanto parir e já disse Milton Nascimento que "tudo o que move é sagrado" e eu acredito piamente que quanto mais se ensina, mais aprende o que se ensina. Minha eterna gratidão e carinho.
Abraços do Lucas, o mais Franco.
domingo, junho 29, 2008
Made in Brazil. I'm so sorry!

terça-feira, junho 17, 2008
Quanto custa um sonho?
"Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda." Karl Gustav Jung
Enquanto trabalham na quebrada da soleira entoam um canto imbuído de dor e conformismo de uma gente que sabe que veio ao mundo num dia de pouca inspiração divina. Certa tarde, já bem cansada e desiludida de tudo, Adelaide avista no corte da cana Francisco que, como ela, é jovem, forte e viçoso e não consegue tirar os olhos desejosos de seu corpo moreno e bem feito. Vê nitidamente que é correspondida com o mesmo fervor e desejo e isso a ela é incomum.
As investidas no olhar já datam de algum tempo e Adelaide, como mulher casada e de respeito, trata de desviar qualquer flerte mesmo ciente de que o desejo arde e num lampejo de loucura pede para que uma amiga olhe a filha para se dirigir discretamente até o rapaz. Os dois marcam o encontro atrás da mercearia as oito em ponto, uma vez que o marido e a filha visitariam a sogra dela naquele dia. Como combinado Francisco a pegou no local e hora marcadas e a levou para um motel barato de estrada e Adelaide (que nunca soube o que é prazer nessa vida) refestelou-se nos braços do viril e envolvente homem.
Essa seria mais uma estória de infidelidade como tantas outras se a moça não resolvesse abandonar família, mas não para ficar com o amante e sim para "cair na estrada" e conhecer quantos homens fosse possível e onde fosse necessário. Foram muitas as boleias, matas e banheiros até que ela resolveu se empregar numa casa de moças e hoje, mais de vinte anos depois, é a proprietária do local que com letreiro néon sinaliza "Casa da Adelaide". É ali que ela se encontra sem nem pensar se usa ou é usada. Vez ou outra pensa na vida que deixou e até derrama umas lágrimas para depois passar uma boa camada de maquilagem em seu rosto já não tão belo e vestir seus vestidos extravagantes. Para ela a vida é assim mesmo e se os sonhos de menina não foram realizados a contento é outra estória...
Óbito
Não há música para surdos e nem cores para cegos
E tudo o que foi por ti projetado não cabe na tela de meu sonho
Ao anoitecer o céu negro trará estrelas sem destino algum
Nunca passe sem dizer ao menos adeus e nem faça da escuridão uma sina
Quem dera parar o tempo no instante daquele olhar
Poder sentir o sopro do vento e o aconchego do abraço
Hoje sei o quanto custa cozinhar os olhos em lágrimas
Buscar o pífio e incerto momento
O beijo já não adoça mais a alma e é bom saber que o desejo se esvai
Sua presença já não é vital e nem meus próprios sonhos são da forma que espero
Vivo com tal intensidade o presente que – quase sempre – me atraso para o futuro
(inspirado na composição “Hoje” de Moreno Veloso e nos muitos poemas da amiga Cecilia Egreja)
FESTA
Num outro tempo numa ilusão mais tola
Tudo é incerto e nada é pra já
O revólver do meu sonho atira pra onde eu mirar
Mas sem matar a ilusão de que amanhã é tudo luz e calor
DIÁLOGO IMPERTINENTE
(ou a razão interpela o sonho)
De onde vens?
Do irreal.
Você não é real! Como podes viver sem estar presente?
Porque não preciso da vida, sou maior.
E por que não se pronuncias? Por que ficas etéreo?
Porque sou soberano!
És soberano, mas não vives. E se não vive, por que ser?
Não vivo como matéria, mas vivo na paixão, nos anseios, na inquietação.
Eu sou palpável e tenho nuances, timbre e textura, sou profana e sagrada, sou baixa e sou alta, profunda e rasa, aguda e grave. Sou o que quero, quando e onde me dá na telha.
Você acha...
E por que ages com tamanha indiferença diante das coisas? Por que vives como se fosse incólume e indiferente?
Já disse que sou soberano. Enquanto precisas de matéria para existir e construir sua teia, eu só conto com o delírio, o silêncio, o sono, a loucura. Enquanto corres atrás do singular, eu já nasci plural.
Mas eu viro algo e você fica no pensamento. Sou concreto e você substância desconhecida.
Eu não viro porque sou mutação e conto com o acaso, enquanto você vai atrás da comprovação. Eu não tenho textura, sou apenas sensação, sedução e transito sem pedir licença. Você presta contas e eu não dou satisfação. Você vive de verbo e eu de silêncio.
domingo, junho 08, 2008
A paranóia nossa de cada dia.

Quando criança morava numa casa que foi construída em mil novecentos e trinta e sete por meu vovô e sua encantada Júlia e digo encantada porque embora eu o amasse muito, tinha plena consciência que ele era e sempre fora desprovido de beleza, embora tivesse seus olhos azuis, seu nariz adunco (que pode ser um charme) e uma sedução ora brejeira, ora inteligente e na maioria dos casos certeira. Mas o fato é que na nossa cabeça de criança a casa era mal assombrada e isso não me afligia, uma vez que eu tinha certeza que era um vampiro sem poderes e que no lugar de sangue precisava tomar sorvete de doce de leite da Kibon e comer chocolate diamante negro diariamente.
Lembro-me que recebíamos nas férias alguns primos que eram o Tádzio, a Katiana, o Breno e mais quem aparecesse para passar férias na Cidade das Penas e minha diversão era levar todos para o “Assombradinho” – uma ex-casa de funcionários que na época já era um depósito de “não quero essa coisa aqui, mas não vou jogar fora. Manda pra lá”. Para uma criança era o paraíso, pois encontrávamos bicicletas e móveis da década de sessenta, fantasias de carnaval, escrivaninhas, tintas para canetas tinteiro da marca Kim, resto de materiais de construção, entre tantas outras coisas. Porém o lugar não tinha iluminação alguma mesmo que fosse duas horas da tarde e isso aliado a estórias contadas pela Ivana de fantasmas era um prato cheio. A mais assustadora era de que certa vez quando ela era criança e brincava no terraço começou a ouvir batidas e gritos na porta do lugar e, quando chegou para ver, os gritos viraram gemidos de dor e a porta parecia estar sendo forçada por alguém. Exatos quarenta segundos depois a porta se abre bruscamente e não tem nada além de plumas de travesseiros no ar.
Eu morria de medo, mas depois de um tempo saquei que era tudo mentira dela. Sem deixar de crer em fantasmas comecei a passar tardes inteiras no lugar e quando foi se aproximando as férias já comecei a pensar em como iria assustar os outros. Não precisei! Meu irmão Francisco teve a brilhante idéia de levar todas as crianças quando caiu a noite. O problema é que não havia energia elétrica por lá e fomos com uma vela acesa que ele mesmo segurava e que foi “casualmente” apagada no último cômodo sem que ele fizesse barulho algum. Acredito que todos podem imaginar o transtorno que foi para duas crianças de nove anos, mais uma de uns cinco saírem aos berros no mais completo breu tanto do lugar como da mente tão cheia de merda que temos nessa idade.
Porém esse não foi o pior susto que já levei na vida. Susto mesmo foi com a Susana, minha irmã. Eu devia ter uns treze anos e estava só no terraço brincando com o Godot e o Rufos. A brincadeira consistia em jogar uma bolinha no andar de baixo para ver qual cão pegaria e traria nas minhas mãos e assim eu estava fazendo a algum tempo. Num determinado momento os cães não voltaram, pararam de emitir som e fez-se um silêncio propício para o clima de horror. Suei frio e fui até a porta que estava trancada – o que me deixava encurralado ali.
Eu (pensando): Entrou um bandido, matou os cães e vai me matar também. Nem tenho para onde ir!
Olhei em volta e vi duas coisas que podiam me servir (vigas de madeira para construção e um conjunto de panelas tipo marmita) e como o bandido não se manifestava resolvi, chorando de pavor, mas sem fazer barulho e com a marmita na mão como se fosse um taco de madeira, descer as escadas e enfrentar meu oponente – no caso minha irmã que estava de calça jeans, camiseta branca e um boné que escondia seus cabelos, ou seja, um “trombadinha” típico.
Eu (pensando): Não vai adiantar ficar aqui e como vou ser morto por esse filho-da-puta irei ao menos tentar rendê-lo. Mas e se for mais de um?
Quando estava alucinado atrás dela, acho que fui pressentido e nesse momento ela se virou e eu levei alguns segundos para processar a informação parando com a “arma” bem próxima de sua cabeça num grito de absurdo pavor.
Ao ver quem era senti uma pontada no peito e falei ainda um pouco apavorado:
Ela (atônita): Você é louco?
Eu (certo de que ela fez de propósito): Não, você que é uma impertinente mesmo!
Bem, o fato é que ela estava apenas segurando uma bolinha e os cães estavam quietos porque aguardavam o momento de correr novamente e eu imaginei toda essa fantasia em minutos de intenso pavor e essa não foi a única vez em que criei situações regadas a paranóias. Com o tempo as paranóias saem do universo fantástico e migram para o cotidiano e é aí que a galera surta mesmo. Eu acredito cada vez mais que virar adulto é entrar num processo “paranoisante” e que nos tornamos vampiros de nós mesmos, sendo que uns transam e outros continuam tomando sorvete e comendo chocolate. Ai, que saudade dos fantasmas do “Assombradinho”!
Abraços do Lucas, o mais Franco.
domingo, maio 04, 2008
"Meu mundo e nada mais"


Abraços do Lucas, o mais Franco.
quinta-feira, maio 01, 2008
Viver... só me faltava mais essa!

Olá pessoal!
Hoje estava pensando em como as pessoas extrapolam o bom senso ao se verem na difícil tarefa de conviver em grupo. A impressão que eu tenho é a de que vai chegar um momento em que todos terão que tomar um remédio qualquer para conseguirem, ao menos dopadas, dividir espaço, atenção, coisas e mais o que tenha que ser compartilhado. Como é duro! E eu já quero o meu remédio logo.
Bem, estava no ônibus que me trouxe de São Paulo para Penápolis quando me deparo com uma passageira ao meu lado muito espaçosa e que, dormindo e roncando, jogava seu corpo para o meu lado e me acordava com o inesperado contato (isso porque eu é que estava acomodado no corredor). Lá pelas três horas da manhã e já não tão cavalheiro assim me dirigi a ela cutucando-a:
Eu: Moça, moça!
Ela (acordando atônita): Oi!
Eu (muito direto): Você ronca e joga seu corpo para o meu lado e com isso não consigo dormir.
Ela fez uma cara de surpresa.
Eu (extremamente didático): Pois é... o fato é que seu ronco pode ser uma anomalia do sono e para isso cabe um médico, mas seu corpo em cima do meu é um problema de fácil solução. Basta que você jogue seu corpo para o lado da janela e aí eu posso tentar ignorar seu ronco e tentar também dormir.
Ela (muito sem graça): Ah, tá! Vou tentar.
Eu (ainda amigável): Sim, e vai conseguir! Qualquer coisa eu te acordo e vamos os dois olhando um pra cara do outro até o final da viagem. Acordados!
Ela (agora mais confiante): Não precisa! Vou conseguir.
Eu (agora querendo rir): Eu sei que vai!
Claro que você, caríssimo e escasso leitor, pode achar minha atitude exagerada, mas o fato é que a Senhorita veio deste momento até Penápolis sem nem encostar mais em mim e eu pude exercitar o meu direito de poder dormir numa viagem de sete horas pela madrugada fria e úmida que fazia. E é aí que me pergunto o porquê dela não ter esse cuidado antes de alguém criar um clima desagradável como foi o caso. Será assim tão difícil entender que dentro de um ônibus a gente não pode se sentir na poltrona da sala de nossa casa e ficar tão à vontade? Eu sinceramente não entendo o porquê desta falta de protocolo das pessoas e, falando bem francamente, nem quero.
Outro caso desta natureza é a sala de aula. Eu abomino essa gente que vai pra aula copiar resuminho de lousa sem ter lido a matéria previamente e o fato é que NUNCA em toda a minha vida tive cadernos completos e resumos porque sempre gostei mais de questionar e debater do que de copiar. Confesso que sempre tive um certo desprezo por aluno que não abre a boca e não participa, mas pior do que esse é aquele que não quer que a aula seja debatida porque prefere o conteúdo mastigado. Isso é o final dos tempos! Fogueira para eles! Semana passada entrei numa briga por causa disso numa aula sobre como a tecnologia influenciou as mudanças das artes plásticas. Para ficar mais fácil de entender, vai uns exemplos: Como foi o impacto do surgimento da fotografia na produção plástica de sua época? Ou ainda qual o impacto do surgimento do trem e da Revolução Industrial na produção de sua época? Enfim, tema interessantíssimo com professora imperdível e aí vai o que ocorreu por causa de um idiota fruto do processo de analfabetização do Brasil (esse sim um projeto levado a sério neste país):
Professora: Quando vemos Van Gogh enlouquecido para tentar entender a arte do Monet criando um novo estilo...
Aluno (interrompendo): Professora, mas essa aula vai cair na prova ou não?
Eu (não agüentando): Fique tranqüilo que você não vai conseguir entender caindo ou não na prova. Eu hein!
Professora (com um sorriso de canto de boca): Gente, não se preocupem com a avaliação agora que vou dizer o que quero logo mais.
Aluna (do mesmo naipe): Mas... você vai deixar o material na xérox, né?
Eu (só para atrapalhar): Professora, volte ao Van Gogh porque eu quero ter aula. Depois essa gente se bate disputando fila na xérox e quem sabe eles não se matam. Já pensou?
Nem preciso dizer que virou um tumulto só e que a professora, que me adora e é sarcástica, riu sem nem tentar disfarçar.
Outra coisa que não consigo compreender é a questão das filas para gestantes, idosos e deficientes (que acho mais do que justo) ser tão banalizada. Estava eu numa agência do Banco Real da Alameda Santos quando chega uma moça obesa com seus vinte e poucos anos e pega a senha preferencial ao invés da senha normal. Todos que estavam sentados esperando muito porque a agência estava cheia se entreolharam pensando o mesmo que eu, ou seja, o que tem essa moça além de uns quilos a mais. Juro que desta vez pensei que não iria me indispor, mas ocorreu que bem na hora de me chamar vi que a senha dela passou na minha frente no sistema e fui junto com ela:
Eu: Moça, qual é a sua? Porque você não está com barriga de grávida, não é deficiente e muito menos idosa.
Ela (muito cara-de-pau): Eu estou grávida, sim!
Eu (bem incisivo): Ah, não está não! Você está obesa e isso é bem diferente! Acontece que tem muita gente esperando e ninguém está disposto a cair no seu truque. Bem, eu pelo menos não vou!
Ela (chocada): Estou grávida sim!
Eu: E onde está o seu exame? Quero vê-lo agora! Vocês não querem?
Quando olhei o caixa estava rindo disfarçadamente e logo veio outro funcionário para continuar com a fila e eu fui atendido ao mesmo tempo que a falsa gestante. E não sintam dó porque eu sei o que é uma barriga de grávida e a dela não era!
Eu poderia ficar aqui escrevendo por horas situações deste tipo, mas acho que já me cansei de mim, de você e de tudo isso e hoje vou ficar por aqui. A minha única pergunta é: Por quê a convivência social está ficando tão difícil? Parece até que está tudo em suspensão e que não há mais parâmetros. Como pode?
Abraços do Lucas, o mais Franco.
terça-feira, abril 15, 2008
O casamento - esse acontecimento outra vez!

Bem, eu a conheço desde criança porque nossos pais são muito amigos desde sempre (aquele tipo de amizade onde as famílias fazem tudo juntas e que hoje em dia é muito bem representada em “Desperate Housewives). O casamento ocorreu em Ribeirão Preto e tínhamos que sair depois do almoço de Páscoa para tomar um chope no lendário Pingüim, jantar e pernoitarmos, mas como tudo, absolutamente tudo entre os Francos vira um grande e exagerado problema, os planos não foram assim seguidos à risca:
Almoço de Páscoa, ou seja, um “levíssimo” bacalhau num calor exagerado e típico da Noroeste paulista:
PAPAI (muito calmo e meigo): Vai, vamos logo que eu não quero pegar essa estrada ruim de noite!
MAMÃE: Eu já estou pronta!
EU (como sempre o mais lúcido): Mas nós vamos sair daqui com esse sol a pino depois de comer uma bacalhoada?
MAMÃE (brava): Seu pai, seu pai!
PAPAI: É... Vamos! O carro é meu e eu que decido quando sair. O dia em que você tiver o seu carro, você decide.
Numa fração de segundo pensei comigo mesmo que eu não precisava ir a esse casamento um dia antes do mesmo acontecer porque não estou mesmo podendo beber e que mesmo que estivesse, jamais sairia para uma viagem com a intenção de tomar um mísero chope e comer uma coisa qualquer de boteco metido a besta de uma caipirada rica da “Califórnia brasileira”. Pensei ainda que não fazia o menor sentido sair tão cedo para um trajeto de três horas só porque a estrada é ruim e que sendo ela perigosa, será assim de dia, de noite ou de manhã e que deveria ligar o “foda-se” e arrumar outra maneira de ir.
EU (me esforçando para parecer calmo e altivo diante dos dois): Então vão vocês que eu não vou.
MAMÃE (agora muito brava começa a tirar minha roupa e sapato da mala) e diz: Vamos logo e eu dirijo!
PAPAI (me deixando algum dinheiro e muito impaciente): Não, eu dirijo!
Fecharam a porta e partiram. Eu atravessei a rua e fui falar com uma vizinha também amiga que partiria no dia seguinte para o casamento que seria às dez horas da manhã. Combinei tudo com ela e lá fomos nós bem cedinho para a cerimônia que ocorreu numa capela de bairro. Chegando ao destino fomos pedir informação sobre o local para uma moça num posto de gasolina.
Passado todo o “blá” religioso fomos para a festa que seria num sítio e eu pensando que o lado bom de não estar bebendo é que não correria o risco de me comportar inapropriadamente como no casório do Francisquinho. Ledo engano! Bem que dizem que vez ou outra o destino nos prega alguma peça e foi exatamente isso o que me aconteceu.
O fato é que ao nos acomodarmos percebi que teria que trazer uma mesa de longe para juntar toda a turma e lá vou eu fazer isso com uma mesa de ferro pesada que ao chegar em seu destino final e ser colocada no chão por mim - que estava agachado para a tarefa – percebi um som de calça rasgando no traseiro. O detalhe é que a calça era branca e a cueca azul-marinho e ela rasgou na costura deixando toda a minha bunda de fora. Como nessas horas penso rápido, sentei correndo na cadeira para que ninguém me visse, ou melhor visse a minha parte mais imprópria e me dirigi à Suzana:
EU: Onde estão meus pais hein?
ELA: Ainda não chegaram
EU: Ah! É mesmo? Bem, eu não posso levantar daqui por nada.
ELA: Por quê?
EU (rindo, mas muito nervoso): Porque estou com a bunda exposta, minha calça rasgou e eu preciso que meu pai busque a calça que ele usou ontem e me empreste.
ELA (rindo e nem um pouco nervosa): Não acredito!Isso já aconteceu comigo num chá lá em Penápolis e fiquei sentada durante todo o evento.
EU: Pois é...
Assim que avistei meu pai ele já foi avisado do ocorrido e foi buscar a calça enquanto todos na mesa riam e ironizavam o fato de que o banheiro onde eu teria que me trocar ficava bem longe e que para tal eu teria que atravessar toda a festa. Bem, enquanto a calça não vinha e eu ficava sentado sem me levantar nem para cumprimentar quem quer que fosse, comecei a bolar um plano para discretamente efetuar a troca da vestimenta sem tornar pública minha bunda e deixar no holofote apenas o noivo, a noiva e seu buquê.
Meu pai chegou, me deu a calça e eu já com o itinerário na cabeça comecei a correr de costas para os convidados em direção a uma porta aberta (que era a casa do caseiro onde sua filhinha de uns sete anos brincava na porta enquanto via um traseiro azul-marinho). Ninguém entendeu nada e a mesa que entendeu (a minha) ria alto chamando a atenção para o fato. Ao chegar na casa e entrar (de costas) a família assistia ao programa “Estrelas” e ficou com aquela cara de pasmados.
EU: Onde tem um banheiro? É urgente! Preciso trocar de roupa.
A mãe e dona da casa me apontou atônita e calada a direção sem tirar os olhos de minha bunda e enfim resolvi o probleminha voltando para festa sem infortúnios maiores.
Abraços do Lucas, o mais Franco.
PS: Para quem ainda não leu, veja no índice ao lado “O casamento, esse acontecimento”.
quarta-feira, março 12, 2008
Quem vai querer comprar bananas?

Li agorinha mesmo uma notícia que dizia que a Polícia Federal de Fortaleza anda barrando alguns espanhóis que não tenham uma quantia em dinheiro vivo, endereço comprovado, algum pacote turístico previamente contratado e/ou motivo forte para entrar no Brasil. E o melhor é que fazem tudo isso com pouca delicadeza e em português - ou seja - quem não fala nosso idioma fica perdido e não entende muito bem a situação, o que deve causar certo receio e até medo por parte do estrangeiro.
Claro que essa nova postura não vai ajudar muito no combate ao turismo sexual praticado em todo o litoral brasileiro em especial no Nordeste, mas mesmo assim não deixa de ser uma satisfação aos brasileiros tão mal recebidos na Europa e em especial na Espanha.
Para mim isso cheira a descaso dos grandes e se tivéssemos um governo mais sério e um corpo diplomático ciente de sua verdadeira função essa moça não teria passado nem uma hora sequer no borralho destinado aos latinos em geral.
Enquanto estivermos com a "bunda exposta na janela" para passarem a mão, não seremos nada mais do que bananas podres e sucesso no estrangeiro não será mais Carmem Miranda, mas as prostitutas e os michês gostosos e explorados do balneário. A realidade é que não passamos de exportadores de "carne" para saciar o apetite sexual de nossas antigas metrópoles. Foram-se as matérias-primas, os ouros e pratas e agora começam a ir o fruto de toda a miséria gerada por séculos de exploração.
Apenas uma coisa não muda nesse filme pornô, clichê e grotesco: o fodido e o fodedor.
Abraços do Lucas, o mais Franco.