quarta-feira, julho 04, 2007

Declaração de culpa


Olá pessoal!
Fazia muito tempo que não escrevia por total falta de saco, mas como estou de férias e estarrecido com os fatos ocorridos nas últimas semanas, resolvi exorcizar minha indignação por aqui, como se fosse possível.
Entre tantos acontecimentos bizarros teve destaque na mídia os assassinatos no bairro dos Jardins (do francês e do garçom negro), o espancamento da empregada doméstica na Barra da Tijuca e a contestável operação policial no Morro do Alemão, esses dois últimos no Rio de Janeiro. Claro que nenhum dos crimes acima citados e nem a barbárie cometida pelo Estado na favela (referendada a pouco pelo Presidente Lula), são plausíveis ou dignas de desculpas, porém mesmo assim me peguei pensando no que leva o ser humano a agir de maneira tão brutal e RACIONAL (sim, não é erro de digitação. Digo racional porque todos foram cometidos com premeditação e em nenhum caso, por tipos tidos pela lei como inimputáveis). Confesso que de certa forma todos nós batemos na Sirlei, matamos o francês na saída do Ritz e coagimos com terror financiado por dinheiro público toda uma comunidade carente que não tem escola, mas tem bala de armas pesadas e o porquê de meu alarmismo tentarei explicar adiante através de situações cotidianas. Sabe quando:

Estamos em nosso carro fechado, com vidro escuro e travado o máximo que podemos, muitas vezes sem cinto de segurança (já que fica difícil do policial ver) e chega um garoto "pobre, feio, geralmente negro, maltrapilho, mirrado, sujo" e trazendo mais uma infinidade de estereótipos e arquétipos que não me ocorrem agora e você se sente mal não por causa da situação calamitosa do ser humano a seu lado, mas porque ele age meio que "atrapalhando a paisagem"?
Ou então quando você chama um trabalhador semi ou totalmente analfabeto para lhe prestar um serviço (para o qual ele não foi devidamente especializado) e ele o faz de maneira imprópria ou totalmente ineficaz e você se irrita, xinga e fica, com o perdão do termo chulo, "emputecido", referindo-se a ele com desprezo e nem pensa que lhe faltaram todas as chances que a você sobrou?
Outra situação muito comum é quando você contrata uma empregada doméstica, como a que foi espancada no bairro nobre do Rio de Janeiro, e exige que ela seja legal e bem humorada com seu filho, passe uma roupa com esmero, cozinhe, limpe sua sujeira, faça hora extra vez ou outra para que você possa passar uma noite "gostosinha" no motel, jantar fora, ir ao cinema e em alguns casos preencha as lacunas deixadas pelos pais contemporâneos que precisam sair para trabalhar e prosperar, fazer pós, enfim ter a uma vida repleta de projetos concretizados como sonha a classe média tão cheia de ocupações. Aí você paga um mísero salário mínimo, encargos trabalhistas e, quiçá, uma cesta básica. Ah, e claro: faz com que ela coma depois de todos (de preferência na cozinha) para que seus hábitos e assuntos não cheguem a ser postos literalmente à mesa. Uma espécie de "Casa Grande, Senzala" atual. Curioso que os rapazes que bateram na Sirlei se enquadram perfeitamente neste perfil, não?
Você está passeando, passa uma "bichinha" e você, na frente de seu filho ou de quem quer que esteja ironiza com piadinhas completamente inoportunas e politicamente incorretas ou então com o famoso "... que tristeza para um pai e uma mãe..."?
Em reuniões de amigos ou familiares surge o momento "vamos fazer piadinhas de minorias" e todos riem porque é engraçado, mas não tem nada de preconceito, é só para se divertir? Começa o jornal e estão todos na sala. Vem mais uma notícia de chacinas como a da Candelária, Carandiru, Cidade de Deus, Eldorado dos Carajás e por aí vai e você diz sem pudores que é tudo bandido e que tem mais é que matar?

Se você já se viu nesses tipos de situações como autor é criminoso. Culpado por bater na Sirlei no ponto de ônibus, matar o francês saindo do restaurante gay, o garçom negro do boteco da Alameda Lorena, os cento e onze computados no Carandiru, as crianças da Candelária, os trabalhadores rurais sem terra de Carajás e mais recentemente os moradores do Morro do Alemão. Agora se você foi ator, mesmo que involuntário dessas situações e nada fez, você é no mínimo cúmplice e nem adianta tentar se explicar porque quem quer ouví-lo ou puní-lo, não é mesmo?

Temos que diagnosticar nossa condição de esfomeados, preconceituosos e bárbaros para tentar mudar o pensamento porque só assim muda-se a ação! Não adianta negar que estamos mais para a criança da foto acima do que para os atletas do Pan, o galã da novela, a musa das passarelas e todo e qualquer modelo forjado pela grande mídia.

Certa vez, quando estava no terceiro colegial, me pediram para escrever um texto para a Edição Comemorativa "Brasil 500 Anos" de um jornal penapolense e lembro-me de concluí-lo da mesma forma como farei com esse porque o problema é o mesmo desde quando Cabral chegou para acabar com as "Terras de Pindorama" - nome indígena do Brasil que havia antes da vinda do homem branco. Citando a mim mesmo, vamos lá: "é preciso repensar a sociedade que construímos baseada no mais alto grau de violência e usurpação".

Abraços do Lucas, o mais Franco.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Pergunte-me!


Olá pessoal!
Agora pouco, trabalhando e observando um casal e sua discussão cheguei a uma conclusão: nós, homens e mulheres, somos os animais mais imbecis de que já tive notícia. Isso porque não somos capazes de nos olhar e enfrentar nossas dúvidas, inquietações e, via de regra, preferimos fugir das perguntas que fazemos intimamente. Além disso conclui outra coisa assustadora: pessoas perturbadas são sempre mais coerentes e interessantes, infinitamente mais legais e sinceras - mesmo as muito perigosas.
Estava ouvindo o disco Quartinho (que faz parte do álbum Dois Quartos) da Ana "Gritolina" e tem uma canção em que ela foi a um hospício gravar depoimentos de pacientes para incorporar em seu trabalho, conseguindo coisas para mim fantásticas, tais como:
"... Eu quero uma Carta é de Euforia ..."
"... Meu, cê é muito louca, tenho medo de ti ..."
"... Gente, eu sou a luz, a luz, a luz ..."
"... Olha pra mim meu bem. Eu sou super famosa agora!"
Enfim, coisas que gente insana diz mesmo.
Aí parei e me perguntei se eles é que são muito loucos porque ao invés de amadurecer preferiram se afundar na fantasia ou nós é que perdemos o ludismo com o passar do tempo. Sim, porque já cheguei à conclusão de que esse mundo e essa vida que a gente leva é pura ficção, construção mesmo, realidade virtual ou o termo que você preferir e que exatamente por isso é que não conseguimos nos olhar no espelho e responder o que nos assombra e que lá no fundo tem resposta para tudo, absolutamente tudo o que perturba nosso mundinho e ameaça nossa normalidade. Afinal como pode se achar e se intitular como saudável quem não consegue encarar a si mesmo e aos que o cerca?
É por isso que sempre que alguém me pede conselho sobre situações delicadas eu sempre dou o que a pessoa está inclinada a não fazer porque, para mim, a gente só quer ouvir o que não tem coragem de fazer, como comer gente comprometida, sair de casa, sumir, abandonar emprego, faculdade, mandar a família a merda, assumir que é ateu e chocar sempre. Porque legal é impacto e não queda amortecida.
Abraços do Lucas, o mais Franco.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

O quê será que me dá?

Olá pessoal!
Outro dia fui numa festinha e fiquei pensando em como pessoas da minha geração andam saudosistas - de uma época que nem sonhavam em viver. Pensei que esse caso fosse meu e de uma minoria, mas creio que não. Acho que é uma característica da contemporaneidade mesmo por alguns motivos que identifico em mim e em alguns infelizes desta geração sem muita luz no fim do túnel.
Bem, antes de irmos para festa fomos buscar um amigo num barzinho com a menina Júlia:
Júlia para mim: Grita o Pedrão aí.
Gritei, ele atendeu e veio para o carro.
Pedrão: Nossa! Vocês chegaram num momento tenso da conversa.
Alessa: Huuuuuuummmmmm ... estava rolando um clima com a mocinha?
Pedrão: Ela é uma amiga do cursinho que eu não via fazia um tempo ...
Júlia: E?
Eu (em cima da fala da Júlia): "... paixão antiga sempre mexe com a gente ..."
Pedrão (conseguindo, enfim, esclarecer): Estávamos falando sobre "Reforma/Revolução".
Ao mesmo tempo:
Júlia: Ih ...
Alessa: Nossaaaa ...
Petit emite um som de estranhamento que não consigo reproduzir aqui. Questão de fonética, sabe?
Eu: hahahahahahahahah ... nada mais classe média do que discutir "Reforma/Revolução" e parar para ir pra balada. Para ficar ainda mais pós-moderno só faltava ser uma "rave".
Júlia (achando graça): Pode crer!
Alessa ri e Petit não interage.
Pedrão: Sou obrigado a concordar.
Até chegarmos em nosso destino discutimos vários assuntos e o tom era sempre de saudosismo, fosse a pauta futebol (que para nós não produz mais campeonatos tão legais como antes ou política que não anda mais tão em discussão como esteve trinta anos atrás).
Bem, o fato é que para mim tudo não é mais tão instigante como antes. Me lembro de poucos fatos históricos que eu tenha visto "ao vivo" e que me são emocionantes e tenho poucos ídolos nas artes em geral que ainda produzem e/ou estão em evidência, tendo a impressão de que isso ocorre porque não me acostumo à idéia de que faço parte de uma época medíocre, tomada pela barbárie e onde o êxito é mais importante que o mérito, ou seja, não consigo me sentir feliz em ser parte de uma classe média desesperada para arrumar um "empregozinho" qualquer que me renda um certo conforto e uma aposentadoria num futuro distante que pague meus remédios. Não darei continuidade a espécie e creio que essa é uma decisão que não mudarei por uma total falta de tato para lidar com frutos e por estilo de vida mesmo. A verdade é que não acredito no mundo e muito menos na raça humana e também porque a vida está cara e entre pagar colégio e faculdade para um fedelho qualquer e continuar comprando meus cds, livros e dvds, fico com a segunda opção sem pestanejar.
Chegando na festa os "hits" eram, via de regra, anos sessenta, setenta, oitenta, alguma coisa dos noventa e quase nada de agora. Aí você, caro e escasso leitor pode dizer: Ah, mas o Lucas está sendo chato ... afinal não dá para ouvir as músicas de hoje.
Pergunto então: E o quê você leu recentemente que tenha lhe tocado ou feito pensar tanto quanto Machado de Assis, Graciliano Ramos, Raúl Pompéia, Fernando Pessoa, Hemingway, Tenessee Willians, Sartre, Valter Benjamin, Marx, entre tantos outros? Que artista plástico lhe instiga hoje como Picasso, Modigliani, Monet, Hopper, Miró? Quem, da recente MPB e mesmo da música mundial, está cantando e fazendo você suspender a gravidade? Que líder político no Brasil está mobilizando ou mesmo tentando mobilizar em favor de algo mais nobre do que aumentar o próprio salário, além do Gabeira e mais meia dúzia que não ocupa os dedos das mãos?
Sempre achei que ser engraçado era ser um cara feliz e em sintonia com o seu tempo, mas percebi - a duras penas que não. Percebi que meu sarcasmo, meu tom debochado e minha veia piadista se deve a total descrença num futuro melhor. Sabe aquela coisa do "já que está tudo uma merda, vamos ligar o foda-se e dar risada", como na cena do Titanic em que alguns náufragos pedem mais bebida e música de qualidade ou quando Dom Pedro II oferece o fatídico baile da Ilha Fiscal? O nome disso é desesperança.
Houve um tempo em que o futuro era animador e viável. Será mesmo?
Abraços do Lucas, o mais Franco.

quarta-feira, novembro 22, 2006


EU ADORO BOCA ABERTA E GRANDE (pensem o que der na telha de vocês, mas isso não tem nada de erótico, é estético apenas).

sábado, novembro 04, 2006

O que eu queria mesmo ser ...


Olá pessoal!
Estava relendo o texto anterior e pensei que deveria esclarecer uns pontos aqui e ali (isso porque eu quero e não porque você perde tempo lendo bobagens mal escritas).
Outro dia estava falando com a Alessa sobre que personalidade seria interessante e prazerosso ser.
Ela: Você preferia ser o Tom ou o Chico?
Eu: O Tom, mas ... se bem que, sendo o Chico, eu seria muito mais amado e pegaria quem quisesse ...
Ela: É ... mas o Tom é muito mais, não é?
Eu (rindo): Acho que ser o Caetano é mais minha cara. Eu me divertiria muito mais e a Gal teria sido minha por um tempo.
Ela (rindo e pensando libertinagens).
O fato é que fui embora e continuei pensando bobagens. Cheguei a conclusão de que eu queria mesmo é ser Don Corleone porque só mesmo alguém muito charmoso, inteligente e sagaz manda matar um inimigo no casamento da filha ao mesmo tempo em que afaga um gato. Isso sim é ser maligno! Soltar bombas em escola de interior e enganar freira topeira é coisa para adolescente bobo.
Agora, saindo da ficção e falando um pouco (pouquíssimo) sério, queria dizer que não sou um monstro e posso até ter atitudes sólidas de generosidade. Outro dia mesmo ajudei um amigo bêbado na balada. Se o levei para casa? Não. Arrumei uma coca-cola gelada e zerei a comanda dele abusando de meu "poder" no local. Isso para exemplificar que existe ética no crime.
Aliás, falando em ética, lembrei de uma briga minha com o neto do Jânio Quadros - esse mesmo!
Estava eu trabalhando no bar da mesma balada em que ajudei meu amigo alcolizado e do mais perfeito nada surge um cliente - o neto.
Ele: Você votou no Lula ou no Alkimin?
Eu: Não votei! Não perderia meu tempo escolhendo entre seis ou meia dúzia.
Ele: Mas você não procurou evitar o PT?
Eu (lacônico): Não!
Ele (capisciosamente e sem o menor nexo): E entre o Jânio e a Erundina?
Eu (atônito): O Jânio das forças ocultas?
Ele: É.
Eu: Sem nem pensar fico com a Erundina.
Ele: Não acredito nisso!
Eu: O Jânio é uma figura histórica desprezível!
Ele (pensando que eu sabia com "quem" estava falando): Pô cara, como você fala assim comigo? Deste jeito vamos ter que sair na mão ...
Eu (agora realmente atônito): Não vamos, não! Eu chamo o segurança e peço que o tire daqui. Mas, por quê defende tanto o Jânio?
Ele: Sou neto dele e todo mundo aqui sabe disso.
Eu: Olha, então você devia deixar isso em segredo porque seu avô foi Presidente e sendo assim é uma figura pública e histórica que está aí para ser julgado. E eu não abro mão de dizer a quem eu quiser, inclusive você, o que penso dele.
Ele deu umas resmungadas, mas não falou mais comigo. Quanto a mim, continuei trabalhando e confesso que não ri da situação, não. Achei anacrônica mesmo.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Jamais a delação


Olá pessoal!
Ultimamente tenho pensado em questões um tanto quanto inquietantes e acho que isso se deve ao meu aniversário logo mais (todo mundo fica um pouco pensativo nessa época, ou não?). O fato é que ontem estava atento ao tempo que foi, no que está e no que virá. Pensava sobre o que tenho feito de meu tempo e de como venho resolvendo minhas risadas e lágrimas. Claro que me deparei com perguntas quase sempre sem respostas e é justamente aí que tomei conta de como a angústia pode ser perigosa e muitas vezes fatal. Lembrei de alguns fatos e até ri (pouco).
Bem, nunca fui lá muito fervoroso mesmo tendo estudado a maior parte do tempo em instituição católica. Lembro-me de passagens em que minhas dúvidas não se contiveram e criaram até problemas, como certa vez na quinta ou sexta série numa aula de Ensino Religioso com uma freira que estava falando da suposta pureza de Maria e eu pensei comigo que mesmo que a Grande Mãe do cristianismo não tenha transado para conceber o Salvador, Jesus acabava com a questão da virgindade ao nascer de parto normal, uma vez que destruiu o hímem da própria progenitora. Claro que levantei essa questão em sala e tive o azar de ter em minha frente uma freira topeira e provinciana que chocada preferiu me mandar para fora da sala ao invés de se sair muito bem com a plausível explicação de que Maria era pura não por ter ou não o "lacre", mas por não ter se entregado aos prazeres da carne. Se bem que nesta fase da vida eu não estava procurando explicações, mas confusão (tudo isso muito bem pensado na cabeça de uma criança quase adolescente muito esperta, inteligente e possuidora de um incrível talento para criar confusões e ser soberba). Sobre essa fase - a adolescência - devo dizer uma coisa: Achei uma bosta e não tenho a menor saudade daquela vida insossa e cheia de cravos e espinhas que me marcaram para sempre. Odiei ser adolescente e mesmo que não tenha, por exemplo, tentado me matar como muitos fazem, quis em vários momentos matar colegas de sala e professores imbecis (em especial os de matemática, física e química). Lembro de ter assistido ao filme "Um dia de fúria" com o Michael Douglas e no mesmo instante pensar em como poderia usar um taco de madeira na cabeça de algumas pessoas que me incomodavam por serem medíocres, feias, chatas ou tudo junto. Felismente me contentei com minha fértil imaginação e não levei os planos tão a sério por medo das conseqüências e por uma dose excessiva de preguiça.
Outro caso muito bom foi quando resolvi cometer um atentado na aula da folclórica Dona Alvair. Tinha uma garota na sala chamada Nathália Martine que era evangélica, péssima aluna em tudo, que amava a Sandy e o Júnior e se divertia muito fazendo as coreografias de grupos de axé no fundo da classe. Era muito divertida a moça e embora tivéssemos pouco em comum eu adorava incentivá-la a me fazer rir. Certo dia ela me disse na primeira aula:
Ela: Lucas, você não sabe o que eu trouxe comigo?
Eu: Não sei, mas você vai me contar!
Ela: Bombas!
Eu (com os olhos brilhando para saciar minha gana terrorista): Ah! E quando vamos usá-la?
Ela: Então ... que tal nas aulas da tarde, depois do almoço?
Eu: Pode ser! Por quê não?
Ela: Na aula de Biologia da Dona Márcia.
Eu: Não tenho coragem, não. Ela é muito barraqueira e esquisofrênica. Vai ser na aula da Alvair durante a chamada.
Ela (rindo muito): Isso!
Soltei uma bomba ensurdecedora, a professora saiu de si, todos riram, fomos suspensos (toda turma) e uma cretina me dedou. Claro que minha fúria vingativa voltou-se contra ela no futuro, mas isso não vem ao caso agora. O melhor foi minha faceta de injustiçado, com direito a choros, soluços e água com açúcar.
Irmã: Lucas, sei de fonte limpa que foi você.
Eu (com cara de espanto): Eu!? Mas quem falou uma coisa dessas? Não fui eu mesmo.
Irmã (investigativa e ainda com certeza): Você pode ser sincero comigo e não despencar em meu conceito. Sei que foi você!
Eu (agora me esforçando e sacando que teria que fazer algo eficiente e rápido): Não, não vou assumir algo que não fiz. Como pode ter certeza?
Irmã: Isso é comigo, mas tenho.
Eu: Não, não (começando a chorar), não fui eu!
Irmã: Por quê você está chorando? Nunca o vi assim ...
Eu (caprichando no choro e ainda soluçando): Como por quê? Sei quem foi, mas jamais falaria. Não sou disso, não ...
Ela (levanta-se, vai até o filtro de água mineral, enche um copo d'agua com açúcar): T0me meu filho! Acredito em você. Sei que não é um aluno fácil, mas sempre foi sincero e assumiu seus erros.
Eu (com as últimas lágrimas e uma vontade reprimida de gargalhar, mas simulando ainda uns soluços): Obrigado Irmã!
Ela: Agora me conte quem foi.
Eu: Mas nem sob tortura. Não mesmo! Prefiro ser punido.
Ela: Não concordo com sua postura, mas devo respeitá-la.
Bem, ao sair dali esbocei um sorrisinho cínico e pensei no quão mal e perspicaz havia sido. Devo confessar que me orgulho disso até hoje.

sexta-feira, julho 28, 2006

Esquisitices de Paulo César, o mais ... Pereio!


Olá pessoal!
Hoje estou escrevendo para colocar trechos da entrevista do Paulo César Pereio na Playboy deste mês. Está simplesmente imperdível, vale a pena!
Sobre a política:
"O Gilberto Gil é o bobo da corte. Dá nove milhões de reais para o Cirque du Soleil e não dá cem mil reais para fazer uma peça de teatro."
"A minha trajetória não é muito diferente da dele (Lula), nasci na fronteira com a Argentina e não fiz o primário, me alfabetizei sozinho. Nunca gostei muito de estudar, mas sempre acreditei no conhecimento. Sempre li muito, inclusive com certa disciplina. Esse elogio à ignorância do Lula me é repugnante."
"Eu era romântico, sabe? Ia nas reuniões, mas não prestava muita atenção. Ia para comer as mulherzinhas, porque as comunistas davam. Fui membro do Partidão, assinei ficha e fui filiado ao PDT também, tinha uma relação com o Brizola desde a Cadeia da Legalidade." (sobre ter sido do Partido Comunista).
"Freqüentemente eu me engajava num movimento porque tinha uma mulher que eu queria comer e também por sentimentos românticos."
"Sempre se confundiram na minha cabeça o patriotismo, o heroísmo e o erotismo."
Sobre a prisão por não pagar pensão a seus filhos com Cissa Guimarães:
"A Cissa podia me tirar da cadeia a hora que quisesse e por isso resolvi agradá-la. Ela tinha bronca porque viviam escrevendo Ciça com cedilha no lugar dos dois esses. Então falei numa das entrevistas: É Cissa com dois esses, bota aí que eu estou dizendo isso. No dia seguinte ela mandou me soltar."
Sobre Arnaldo Jabor - o comentarista:
"O Jabor tem bom texto e bom discurso. E era meu chapa, eu gosto dele. Só acho que ele tem uma tendência à direita, muito bem disfarçada numa retórica brilhante."
Vale ou não a pena? Corram às bancas!
Abraços do Lucas, o mais Franco.

sexta-feira, junho 16, 2006

Vai passando a procissão ...


Olá pessoal!

Como o feriadão é de Corpus Christi resolvi contar uma história que ocorreu conosco faz uns dez, onze anos.
Sexta-feira - hora do almoço, meu pai e o funcionário do Santuário no portão de casa. O Senhor aparece com o segundo quadro da Via Crucis e pede que meu pai o coloque na entrada de casa virado para rua na "quinta-feira" (mais para frente vocês entenderão o porquê do dia da semana estar entre aspas).
Senhor: Seu Francisco, basta colocar aqui no portão para que a procissão passe, faça as orações e ladainhas.
Pai (quase um ateu): Tá!
Eles se despedem, meu pai entra e deixa o quadro na saleta do piano, debaixo da escada.
Algum tempo depois:
Mãe (praticamente uma ecumênica, mas com sérios problemas de datas, horários e total ignorância sobre rituais católicos): Quem deixou isso aí!?
Pai: O moço da Igreja pediu que pendurasse no dia da Procissão.
Mãe: E que dia será isso?
Pai: QUINTA-FEIRA!
Mãe: Ah! Mas então temos que fazer uma arrumação para recebê-los ...
Passa-se o final de semana, chega a segunda-feira. Até aí tudo corria bem.
Terça-feira, final da tarde, mamãe chega do trabalho em suas palavras destruída. Vai para o quarto, tira a roupa, desce para sala, liga a televisão e acomoda-se (apenas de roupas íntimas). Papai vai fazer seu cooper e volta todo suado, toma banho e fica igualmente à vontade, Francisquinho chega do clube e come meia dúzia de sanduíches com uns dois litros de leite achocolatado e eu chego da escola, jogo o material em qualquer lugar, tiro a roupa e fico apenas de cueca. Passamos uma meia hora em paz, sem nem prestar atenção no burburinho que ocorria na Igreja a duas quadras de casa.
Porém, do absoluto nada, começo a ouvir um tanto próximo: "... segura na mão de Deus e vai ..."
Olho para minha mãe e digo:
Eu: Mamãe, você não está escutando nada?
Ela (abaixa o volume do televisor e escuta): O quê é isso!?
Eu: Procissão!
Corremos até a sacada e vimos o povaréu cheio de fé a uns cinqüenta metros de nosso portão na primeira passagem. Saímos todos correndo alucinadamente para pôr ao menos uma blusa e agitar-nos para alojar o quadro na fachada de casa. Meu irmão foi quem se recompôs primeiro (colocou um short) e saiu correndo com quadro, martelo e prego. Papai, mamãe e eu fomos até a sacada (estávamos apenas com a parte de cima e de cuecas nós e calcinha ela - completamente apavorados com a procissão que se aproximava). Assim que meu irmão terminou, subiu e instalou-se na sacada (já com camiseta).
Cinco minutos depois eles param em frente de casa, agradecem a "calorosa" acolhida, fazem as ladainhas, lêem a passagem (que se referia ao quadro) e vão enfim embora. Não preciso dizer que os quinze minutos que passaram ali pareciam horas intermináveis devido a vergonhosa, mal ajambrada e nada hospitaleira recepção que os demos. Imaginem a impressão que causamos naquela gente: não arrumamos nada para agradecer a "honra" de estar com o Jesus deles em casa, ficamos observando de uma sacada (parecendo família real) enquanto o quadro ficava sozinho em cima de um portão (sem nem uma mísera velinha) nem rezamos juntos.
Bem, passado o vexame ficamos todos pasmos por alguns segundos - menos meu pai que não via problema algum no mal entendido e aparentemente nem se abalou.
Mãe: Chico, você não disse que esse negócio seria na quinta-feira?
Pai: Ah! Sei lá ...
Francisquinho apenas ria e eu fiquei meio envergonhado, meio achando graça, meio sei lá ...
Mãe (aos gritos): Puta que pariu! Quer dizer que fui publicamente exposta por causa desta merda e você apenas me diz que não sabe?
Pai (nem aí): Exposta por quê? Só tem gente "manca da cabeça" atrás dessa bobagem. Você parece que bebe!
E a briga prosseguiu com despaltérios de todos os lados.
Passados alguns anos a história se repete e mamãe se jogou de cabeça na parafernália toda. Ficou tão a fim de mudar sua imagem para com os fiéis que não só enfeitou nossa fachada toda com flores do campo, como pôs castiçais dourados, crucifixos, toalhas bordadas de bifê e ainda enfeitou a rua toda com um imenso São Francisco de pó de serra tingido e tampinhas de refrigerante forradas com papel laminado para que os fiéis tivessem um tapete para passar. Se arrumou e foi esperá-los no portão toda risonha. Papai continuou vendo da sacada como um legítimo Romanov e eu o acompanhei, claro! Até porque adorei estar em uma sacada toda arrumada para ver aquela gente toda de cima (a imagem de uma procissão é muito mais interessante do alto).
E assim exercitamos nossa "religiosidade".

Abraços do Lucas, o mais Franco.

P.s.: Pode não parecer, mas adoro uma cantoria religiosa, ladainhas e orações declamadas emocionadamente. O fato não me traumatizou ao contrário de mamãe que entra em pânico quando vê ou ouve algo que lembre procissões.

terça-feira, maio 09, 2006

Vaca - a ternurinha!


Olá pessoal!
Hoje estou aqui para falar de uma das criaturas mais meigas do reino animal, mas não é a Sandy. Vou falar da vaca. Eu sempre (desde criancinha) gostei de vacas e nunca entendi o porquê dela ter um significado tão pejorativo, sendo congruente à puta - que eu acho de extrema importância para manutenção do bem estar social.
Bem, achei a foto de uma belíssima vaquinha de olhos claros e carinha de criança. Sim, porque o que sempre me chamou atenção nesses bichinhos é que eles possuem um olhar ingênuo e extremamente bondoso, podendo ser comparado a uma criança, uma boa criança!
Agora que já deixei claro a minha admiração pela menina, vou postar a foto e a letra do Caetano:
VACA PROFANA
Caetano Veloso
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Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo assim minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
ÊÊê dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas
Segue a movida Madrileña
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Pau, punks
Picassos movem-se por Londres
Bahia onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
ÊÊê vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los puretas
Quero que pinte um amor Bethânia
Steve Wonder, andaluz
Como o que tive em Tel Aviv
Perto do mar, longe da cruz
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk’s blues
ÊÊê vaca de divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas
Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo um grande amor perdi
Caretas de Paris, New York
Sem mágoas estamos aí
ÊÊê dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas
Mas eu também sei ser careta
De perto ninguém é normal
Às vezes segue em linha reta
A vida, que é meu bem, meu mal
No mais as rampas do planeta
Orchata de chufa si us plau
ÊÊê deusa de assombrosas tetas
Gota de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas
Abraços do Lucas, o mais Franco.

sábado, abril 29, 2006

Ideologia - você quer uma pra viver?

Olá pessoal!

Depois de uma noite não dormida em frente ao computador passando raiva com o FHC no Jô Soares (a Hebe Camargo da classe média que sonha em ser elite), ouvindo e baixando música, assistindo “O Poderoso Chefão I e II”, assando pães e tomando coca-cola, resolvi assistir aquele noticiário da Globo - Bom Dia Brasil. Bem, tudo corria normalmente até o momento em que começou uma matéria sobre o Fórum Econômico Mundial que iniciou ontem e termina hoje em São Paulo. Como nem todo mundo aprecia o “Wall Street Journal” tentarei – sem me alongar muito – explicar mais ou menos o que é: as vinte e sete maiores economias do mundo se reúnem anualmente para discutir a economia global e o tema desse ano foi a China. Aliás, o tema dos últimos dez anos! Em suma todos perceberam que o gigante asiático está cada vez mais faminto e cresce velozmente abocanhando mercados devido à mão-de-obra baratíssima e farta.
A conversa do bloco das Américas logicamente terminou em... ALCA! Apareceu um consultor gringo com aquele papo mole de que a solução para nós, a fatia pobre que eles insistem em chamar de “em desenvolvimento”, é a Área de Livre Comércio das Américas. Claro que ninguém abriu o bico para rebater com exceção do Presidente do Banco Central da Argentina que, muito digno e corajoso, disse que os argentinos não são contra o projeto, mas sim a forma como ele vem sendo apresentado e que um bloco americano precisa trazer vantagens e divisas a todos, inclusive aos Estados Unidos. Já estava realizado com a resposta quando aprece ninguém menos que Jorge Gerdau Johannpeter (brasileiro badalado no mundo dos negócios que na década de noventa comprou cinco siderúrgicas nos Estados Unidos tornando-se um dos homens mais ricos do mundo). Suas palavras sobre o assunto foram: “Mercado não tem ideologia”. Ora, como não?!
Tudo tem ideologia e esse cafajeste sabe disso! Agora o pior não é ele tentar sustentar essa idéia (que para turma dos mais ricos é altamente lucrativa), mas a opinião pública, o senso comum aceitá-la e processá-la. Lembro-me de certa vez quando estava no primeiro colegial dizer para uma garota da sala: “Pare de comprar produtos de países como Taiwan porque eles utilizam trabalho infantil e escravo. Compre produtos daqui porque além de serem melhores a grana fica conosco (a ingenuidade adolescente é linda, não?)”. Ela, com suas canetas importadas, coloridas e cheirosas na mão me disse: “Não vou mudar o mundo com essa atitude e adoro minhas bugigangas”. Depois disso passei a achá-la uma mula e pensar que eu era o máximo do politicamente correto sempre comprando perfumes Armani, Yvés Saint-Laurent ou Kenzo. A questão é que naquela época eu não entendia que a ideologia está presente no cotidiano das pessoas e principalmente no mercado e nas mercadorias, ou seja, quando o meliante rouba seu Nike ele não está levando um tênis, mas um super modelo do que há de melhor e respeitável em termos de calçado (ele não precisa de um par de tênis, ele precisa da marca, uma vez que ela funciona como uma espécie de consentimento, um “alvará” de como se vestir e atua no imaginário coletivo da forma mais eficaz possível), da mesma maneira que eu precisava dos perfumes importados, pois é consenso que são melhores. A marca é um respaldo, um modelo a ser seguido, consumido. O mesmo ocorre com a cultura, uma vez que somos resultado histórico e social de uma ideologia. Nós não falamos luz no lugar de “light” ou “lumière” por fruto do acaso, mas porque viemos de uma colonização lusitana que trouxe um sistema capitalista explorador, católico conformista, entre tantos outros traços que carregamos até os dias de hoje. Nossos índices de violência doméstica, nossa homofobia, nosso descaso com as crianças, enfim nossa estrutura social, política e cultural é sim IDEOLÓGICA e isso é indiscutível!
Vocês devem estar se perguntando: Mas por quê esse desocupado e sedentário, que passou a madrugada empenhado em um regime de engorda, ficou tão irritado com o milionário defendendo a turma dele?
Simples: porque estou cansado e revoltado de fazer parte de uma classe média acrítica que não quer cidadania, mas privilégios. Nosso mal vai além da desinformação e da péssima formação que temos e que por si só já causam estragos irremediáveis. Além disso, contamos com o maldito conformismo e com a tristíssima falta de vergonha de querer se dar bem de maneira fácil e tortuosa. Enquanto aceitarmos normalmente que a coisa pública se confunda com a privada e não repensarmos nosso projeto de nação, a ideologia que aí está só vai se perpetuar e a América Latina vai ficando cada vez mais uma latrina.

quarta-feira, abril 26, 2006

O casamento, esse acontecimento.


Olá pessoal!

Faz tanto tempo que não escrevo que nem sei mais como começar. Sabe que estava relendo as mensagens que mandava a vocês e, sem mais, pensei: Puxa! Como você escreve bonitinho!
Agora, falando sério, vamos ao que interessa. Ah! Devo confessar que essa minha mania de escrever: "Agora, falando sério (entre vírgulas e blábláblá...) foi influência do Chico Buarque - de um antigo” long play “dele.
Então agora vamos ao que me trouxe aqui: o casamento do Francisquinho. Afinal casamento é sempre um acontecimento interessante. Eu adoro! Toda vez que sou convidado para um já vou pensando: Tomara que seja bem cafona, com noivinhos em cima do bolo, valsas mal dançadas, soluços de mães de noivos gordas e emocionadas, pais com laços mal dados na gravata, padrinhos e madrinhas com aquela cara de hoje é dia de pagar mico além, é claro, de um lauto jantar regado por etílicos de primeira linha.
Bem, o casamento do meu irmão NÃO TEVE: mães soluçando de emoção (namoraram dez anos), noivinhos em cima do bolo (eram três bolos diferentes), valsas mal dançadas (como não teria valsa, saciei minha sede de sacanagem e pedi para cantora entoar "Pela Luz dos Olhos Teus", hehe...), pais com laços de gravata mal dados (os laços eram daqueles triangulares - nobres), nem padrinhos e madrinhas com cara de hoje é dia de pagar mico (não teve religioso, nos pouparam do altarzinho e fomos direto para o profano, sem passar pelo sagrado).
E TEVE: um lauto jantar com etílicos de primeira linha. Foi aí que cavei a sepultura de minha imagem social na província!
Chegamos na festa eu (chique, parecendo um mafioso de terno e camisa escura com gravata cinza), minha irmã (linda e decotada), meu cunhado (argentino), Tia Ivana (fazendo um estilo "tia turca" - de dourado e saia longa) e já não lembro mais quem. Como éramos da família fui fazer um social com os convidados. Estava perfeito! Falei com todos e sobre tudo.
Segue uns exemplos:

Eu e um primo que é secretário municipal petista:
Eu: E aí primo (não lembro o nome dele), como vai?
Ele: Oh! Tudo bom.
Eu: E a prefeitura, como anda?
Ele: Naquelas. Falta verba pra tudo. O Firmino nos deixou sem caixa e blá blá blá ...
Eu (com cara de entendo seu drama): Sei, sei ... mas é isso aí. O que me tranqüiliza é que a cidade está em boas mãos.

Eu e uma amiga do PSDB que o marido faz parte do primeiro escalão do Alkimin:
Eu: Fulana! Como vai?
Ela: E aí meu lindo, tudo bem? Como você está bonito! A festa está linda!
Eu: Não é mesmo? Legal que esteja gostando! Fico feliz.
Ela: Contamos com você para campanha do Presidente Alkimin.
Eu: Mas é claro! Meu voto vocês já tem. Só não poderei participar da campanha porque estou de partida para Inglaterra. Mas estarei com vocês na torcida.
Ela (com cara de feliz): Eu sei que posso contar com você sempre meu querido...
Eu (dando corda): Agora me conta em “off” quem será nosso nome para Governador. Serra?
Ela (com aquela cara de quem vai contar um segredo): Não... Ele não pode! Assinou um acordo que não deixaria a cidade antes de terminar seu mandato. Meu grupo, que é da Dona Lila Covas, quer Alkimin lá e o Aníbal aqui.
Eu: Ahhhhh... Melhor, né?

Detalhe: EU NUNCA VOTEI NO PSDB, NEM NUNCA FIZ CAMPANHA PARA CANDIDATOS DELA.

E assim segui com minha faceta de relações públicas até o momento em que o uísque, "cowboy" como de costume, bateu e eu literalmente toquei o puteiro na festa sem me lembrar de nada do que ocorreu comigo depois da mesa de frios. Sei apenas o que as pessoas contam quando me encontram.

Com Maria Antônia, sócia de mamãe e amiga das antigas:
Ela: Lucas, você com certeza tomou um litro de uísque sozinho e quando eu ia tentar fazer você parar, você dizia: Ih... Liga não. Já estou acostumado. Eu só trabalho nesse grau.
Eu: Não acredito que eu falei isso!
Ela: Juro por Deus!

Com Sandra, minha cunhada e noiva:
Ela: Você colocou uma rosa na boca, tirou, colocou no meu decote, me fez dançar twist e quase me derrubou!
Eu (rindo): Não faria uma coisa dessas!

Com Adrián, meu cunhado argentino (tentarei reproduzir o sotaque):
Ele: Voxê caiu no xão e começo a rir e bater as pernas. E pulou igual um sapo.
Eu: hahahahahahahahaha... Isso eu faço mesmo (pular como sapo).

Com Tudinha, amiga de mamãe:
Ela: Você me fez dançar até o chão e minha coluna travou. Aí você me virou um montão, me fez entrar num trenzinho e me largou quando achou alguém para tirar para dançar. Você dançou com todo mundo, até com quem não conhecia.
Eu: Nossa! Por quê você não me deu um tapa na cara?
Ela: hahahahahha... Não, foi divertido!

Com meu pai:
Ele: Eu quis te dar uma surra!
Eu (com cara de não lembro de nada): Não sei o porquê!

Com minha mãe:
Ela: Ai filho, nós não podemos beber.
Eu: Está bem!

Com Tádzio, meu primo.
Ele: Foi só você ir embora que a festa acabou. Todos foram!
Eu: Ai Jesus! Vou ficar uns quinze anos sem sair em Penatown.

Agora vou deixar um recado que minha irmã pôs em meu orkut:

Estou vendo que, pelo jeito, ninguém está sabendo do seu show no casamento do Francisco, né?Pois é pessoal. Foi assim: 1. Ele encheu a cara de uísque2. Foi para a pista de dança para chacoalhar as pessoas3. Depois de chacoalhar, tentava derrubá-las4. Jogou a partitura da cantora no chão5. Tentou derrubar o teclado do músico6. Quando, finalmente ele foi para o chão, ficou de pernas pro ar7. Também chacoalhou a noiva, que só não foi para o chão porque um primo nosso a segurou, ou melhor, segurou ambos8. E para finalizar, pasmem, caiu da escada feito um saco de batatas9. On the day after, não se lembrava de nada, nem sabia porque estava com o queixo ralado e doendo.Em suma: A FESTA DE CASAMENTO DO FRAN FOI SÚPER ANIMADA, graças a muitos fatores, mas sem dúvida nenhuma a elegante presença do brother Lucas foi fundamental pra marcar de vez a data na memória. Das festas mais animadas que já fui!

Abraços do Lucas, o mais Franco.

P.s.: Dizem que caí da escada no momento em que me soltei de papai que me levava para casa. Será que é por isso que ele quis me dar uma surra e que acordei roxo e doendo?
P.s. II: O bom é que não lembro de nada. Uísque bom é assim, com amnésia!

sábado, janeiro 01, 2005

Franco, el negociador !

Olá pessoal!

Por mais que eu jure a mim mesmo que não vou mais me meter em política eu não consigo cumprir.É realmente muito difícil para mim. Hoje estive na posse do João Luís, prefeito eleito de Penápolis ( sim, eu sou da cidade da Sabrina ) e cheguei cedo, sentei numa das poltronas do fundo para não arrumar problemas ( imagina ). Porém senta-se ao meu lado o Pinheiro, um militar aposentado que tem rabo de cavalo agora porque nunca pode e quando se desligou foi aprimeira coisa que fez, ou seja, " ...começou a beber, deixou o cabelo crescer e foi trabalhar..." na FUNEPE ( a faculdade da cidade ).
Esse é um conhecido antigo. Quando eu tinha dezoito anos e não queria de maneira alguma fazer tiro de guerra, fui na Junta Militar falar com ele. Polidamente, claro!
Eu ( nervosíssimo) : Oi, tudo bem?
Ele ( ainda um impoluto militar ) :Oi! Quem é você?
Eu ( tremendo ) : É, então, eu sou o Lucas Franco, filho do meu pai, quero dizer, Francisco Franco lá da Maçonaria e queria conversar com você sobre esse lance do Alistamento.
Ele ( que não passa de um sarcástico ) : Mas você é o Lucas, o Francisco ou o pai lá da Maçonaria?
Eu ( rindo bem amarelo e forçado ) : ha ha ha ... sou o Lucas, filho do Francisco da Loja Maçônica e vim falar com você sobre o alistamnto.
Ele ( direto ao ponto ): Sei!E o quê você quer afinal?
Eu ( depois disso direto ) : Quero não fazer esse negócio porque não curto o exército.É tudo o que sempre neguei para mim, embora reconheça a importância da instituição.
Ele ( rindo ) : Tudo bem!Apresente-se e não irá nem para triagem.
Eu ( feliz, feliz, feliz ) : Nossa! Que bom, nunca pensei que seria tão simples assim...
Ele ( firme novamente ) : Agora se mande sobrinho (por causa da Maçonaria que, para quem não sabe, sou lowton).
O fato é que depois disso ficamos amigos e ele foi com a minha cara.Eu então nem se fala!
Hoje, na posse, sentamos juntos e ficamos destilando nosso veneno viscoso sobre a administração do Firmino que, para mim foi surpreendente, porque eu já esperava que seria ruim, mas foi péssima.
Abraços do Lucas, o mais Franco.

Cortando a faixa!

Olá pessoal!

Resolvi criar um espaço bacaninha para deixar meus maus escritos textos, uma vez que não costumava guardá-los e com isso perdi algumas pérolas de meus devaneios e esquisitices habituais. Então pensei que já que me rendi ao orkut ( que adorei ), deveria também criar um blog bonito, de bom gosto e que tivesse a minha cara, embora não me ache nem um pouco original.
Sobre os textos que tenho arquivado no terrível lucasplis@hotmail.com, decidi que vou selecionar os mais legaizinhos e pô-los aqui ( depois de uma revisão, claro ). Porque a coisa agora é pública, né?Bom, é isso!
Abraços!Sejam bem-vindos ao Esquisitices do Lucas, o mais Franco.