
(Gabriel García Marquez)
Olá pessoal!
Vocês que já estão com vinte e poucos anos ou mais já pararam pra pensar no que se agarraram para sobreviver à adolescência ou, pelo menos, sair vivo dela?
Bem, eu já! E como um adolescente sempre cheio de certezas sei que a música foi, sem sombra de dúvidas, meu pára-quedas, meu veneno anti-monotonia e por tudo isso minha salvação. Lembro-me de alguns álbuns que me acompanharam diariamente por anos e anos. Discos que ouvia e ainda ouço com contemplação absurda. São eles: "Debaixo dos Caracóis dos seus cabelos" de Nara Leão, "A Marca da Zorra" de Rita Lee, "O Sorriso do Gato de Alice" de Gal Costa, "Greatest Rits" dos Rolling Stones, "What a Wonderful Wourld" de Louis Armstrong, "My Way" de Frank Sinatra e "Série Grandes Nomes" de Chico Buarque.
Claro que nem só de pérolas vivia esse pobre e sujo porco que vos fala. Também ouvi com fone de ouvido (para ninguém perceber), discos como "Globo Special Rits" (que trazia coisas como All that she wants e Mister Loverman) e "O Canto da Cidade" de Daniela Mercury. Porém como já escrevi por aqui sempre detestei Nirvana e Guns e isso é um grande problema porque é tão incomum como ter vivido nos anos setenta e não gritado com Janis Joplin (outra que não gosto), não ter chorado com a morte de Jim Morrison (a quem tento sem sucesso fisicamente parecer - daí o cabelo), não ter odiado Yoko Ono (a quem adoro), não ter sonhado com a Rota 66, o "California dreamin", não ter namorado ao som dos "The Mammas and the Papas" ou ouvido "aquela canção" do Roberto e muitas outras canções que marcaram época.
Lembro-me de ainda em Penápolis ir a alguns bailes ou "brincadeiras dançantes" (festas que ocorriam na casa de alguém onde gelo seco, néons e lasers reinavam ao lado de ponches açucarados, refrigerantes e trilhas que iam de Pet Shop Boys até Ace of Base passando obrigatoriamente pela loira-esquisita-channel Cindy Lauper) e achar aquilo tudo tão, digamos assim, enfadonho. Não gostava nadinha e ao voltar pra casa buscava novamente a minha "playlist" que para meus amigos (poucos, diga-se de passagem) seria a chatice. Hoje como deixei de ser adolescente para ser apenas chato, acho ótimo quando em alguma festa toca músicas dos anos noventa e percebo que além da decadência física o passar dos anos pode nos trazer também a tolerância necessária para não sermos inconvenientes e que o fim da adolescência é não somente uma alforria, mas também o fim das certezas absolutas que nos torna tão idiotas.
Isso é pura suposição, claro! Porque a única certeza é a de que a música continua sendo meu principal comburente, minha única "tábua de salvação" nas noites de insônia e/ou sem combustão.
Abraços do Lucas, o mais Franco.